Política
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reforçou publicamente o apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República e pediu que aliados deixem de lado as divergências internas em torno do projeto eleitoral do grupo.
A manifestação foi feita por meio de uma carta divulgada neste sábado (11) e lida por Flávio durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais. No texto, Bolsonaro chamou o filho de “porta-voz” e afirmou confiar nele para conduzir o movimento político nas eleições de 2026.
“Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós. O momento é de arregaçar as mangas e deixar de lado possíveis diferenças”, escreveu o ex-presidente.
Na sequência, Bolsonaro declarou apoio direto ao senador. “Meu pré-candidato, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e prosperidade”, afirmou.
Após ler a mensagem, Flávio disse que a manifestação do pai ajuda a alinhar o discurso entre os integrantes do grupo político e evita que aliados sigam caminhos diferentes durante a pré-campanha.
Segundo o senador, a carta é importante para impedir “falas conflituosas ou direções diferentes” dentro do campo político liderado pelo ex-presidente.

A mensagem foi divulgada em meio a uma crise envolvendo Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Nas últimas semanas, os dois trocaram críticas públicas e acusações pelas redes sociais.
O conflito ganhou força no fim de junho, quando Michelle afirmou ter sido maltratada e humilhada pelo senador. Flávio chegou a pedir desculpas publicamente, mas novos episódios voltaram a expor as divergências dentro da família e do PL.
Apesar do contexto, Jair Bolsonaro não citou Michelle nem mencionou diretamente a disputa na carta. O ex-presidente concentrou a mensagem no pedido de união e no reconhecimento de Flávio como representante político do grupo.
Em meio à crise, Michelle deixou a presidência nacional do PL Mulher. Segundo o partido, a saída foi definida após uma reunião com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto.
Valdemar afirmou que Flávio e Michelle deixaram de manter diálogo desde o início do conflito e defendeu que as diferenças sejam superadas antes da convenção nacional do PL, marcada para 25 de julho.
A carta de Bolsonaro é interpretada como uma tentativa de reforçar a autoridade de Flávio na pré-campanha e reduzir os ruídos internos antes da oficialização do projeto eleitoral do partido.
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