Política

Advogado do Banco Master preso pela PF recebeu homenagem do PT na Bahia; entenda

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A Operação Compliance Zero expõe um esquema de propina que envolve figuras políticas na Bahia e o Banco de Brasília.  |   BNews RN - Divulgação Foto: reprodução
Ranyere Fonseca

por Ranyere Fonseca

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Publicado em 18/04/2026, às 16h06



O desdobramento da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de pagamento de propina envolvendo a cúpula do Banco de Brasília (BRB), trouxe à tona conexões políticas sensíveis na Bahia. O advogado Daniel Monteiro, preso preventivamente sob suspeita de atuar como "laranja" do Banco Master, havia sido homenageado recentemente pela Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) com o título de cidadão baiano.

A honraria foi proposta pelo deputado estadual Rosemberg Pinto (PT), líder do governo Jerônimo Rodrigues na Alba. Durante a cerimônia, realizada em dezembro de 2024, o parlamentar exaltou a atuação de Monteiro na aquisição da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que deu origem ao programa CredCesta, braço financeiro ligado ao grupo econômico do Banco Master.

Laços com a cúpula do Governo

O prestígio de Daniel Monteiro junto ao PT baiano ficou evidente pela lista de presentes na homenagem. O secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Sodré, que é enteado do líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT), discursou na ocasião, afirmando que o título era "um presente para a Bahia".

A relação ganha contornos mais complexos diante da revelação de que a empresa da esposa de Sodré recebeu cerca de R$ 12 milhões em contratos com o Banco Master nos últimos três anos. Além dele, figuras ligadas ao senador Otto Alencar (PSD) também prestigiaram o advogado agora investigado pela Polícia Federal.

O papel do advogado segundo a PF

De acordo com as investigações da Polícia Federal, Daniel Monteiro não era apenas um advogado de negócios, mas uma peça-chave para burlar fiscalizações. Ele teria sido utilizado pelo grupo Master e Reag para adquirir ações do BRB de forma indireta, permitindo que o grupo privado assumisse 25% do controle do banco estatal de Brasília.

A PF aponta que Monteiro movimentou cerca de R$ 84 milhões em ações, utilizando recursos que, oficialmente, teriam sido obtidos por meio de empréstimos suspeitos. O caso coloca o governo da Bahia em uma situação delicada, precisando explicar a proximidade e as homenagens prestadas a um personagem central em um esquema de corrupção bancária que atinge o coração do sistema financeiro brasiliense.

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