Política
por Anna Paula Andrade
Publicado em 03/11/2026, às 14h02
A eleição para a presidência da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, prevista para fevereiro de 2027, ainda está a alguns meses de distância, mas as articulações nos bastidores já começaram desde o resultado das eleições. E, como costuma acontecer na política, a disputa pelo comando da Casa não se resume à escolha de um nome: envolve a formação de blocos, a distribuição de forças e, principalmente, a capacidade de influenciar os rumos do próximo governo estadual.
Com Cadu Xavier eleito para governar o Rio Grande do Norte, um dos primeiros desafios será construir uma base de sustentação na Assembleia Legislativa. O problema é que, pelas projeções políticas calculadas após a eleição, o governador eleito começará o mandato sem maioria parlamentar. Nesse cenário, a presidência da ALRN ganha um peso estratégico ainda maior.
Quem controla a Mesa Diretora não governa o estado, mas ocupa uma posição privilegiada na organização dos trabalhos legislativos, na condução das pautas e na relação institucional com o Executivo. Por isso, a eleição de fevereiro será de fato o primeiro teste da capacidade de articulação de Cadu e dos grupos políticos que pretendem influenciar seu governo.
Quatro caminhos começam a aparecer nesse tabuleiro. Um deles é a reivindicação do PT e do PV pela presidência, com a possibilidade de indicação do deputado Francisco do PT. A iniciativa representaria uma tentativa de fortalecer a presença do campo governista no comando do Legislativo.
Outra possibilidade passa pelo grupo liderado por Ezequiel Ferreira, do PSDB, que tudo indica que pode trabalhar pela eleição da deputada Cristiane Dantas. O União Brasil e o PP, por sua vez, já definiram o nome de Kléber Rodrigues para a disputa. Há ainda a hipótese de uma aliança entre União Brasil, PP e PL, reunindo 13 deputados em um bloco de oposição.
Nesse cenário, Francisco e Cristiane Dantas disputam o mesmo grupo e Kléber Rodrigues desponta como o nome da oposição. Mas, em política, a força de uma candidatura não depende apenas do partido ou da vontade pessoal de quem pretende ocupar o cargo. Depende da capacidade de construir acordos, dialogar com diferentes bancadas e reunir uma maioria que sobreviva até o dia da votação.
Para Cadu Xavier, a equação é delicada. Ampliar sua base parlamentar será fundamental para garantir governabilidade, aprovar projetos e sustentar as prioridades apresentadas à população durante a campanha. Isso não significa, necessariamente, que o governo precise controlar a presidência da Assembleia, mas torna indispensável construir uma relação política capaz de evitar o isolamento institucional.
É aí que as conversas com o grupo de Ezequiel Ferreira e com outras forças parlamentares ganham relevância. Uma eventual composição entre PT/PV e setores ligados ao PSDB pode alterar o equilíbrio da disputa e dificultar a consolidação de um bloco oposicionista. Tudo dependerá dos interesses envolvidos, das condições negociadas e da disposição de cada grupo para construir uma maioria.
O que está em jogo, portanto, é mais do que a escolha de quem ocupará a cadeira de presidente da Assembleia Legislativa. A disputa antecipada revela como as forças políticas estão se reorganizando depois das eleições de 2026 e como cada grupo pretende se posicionar diante do novo governo.
A Mesa Diretora será um dos primeiros grandes testes políticos de 2027. Para Cadu Xavier, a tarefa será transformar a vitória eleitoral em capacidade de diálogo e articulação parlamentar. Para os deputados, será a oportunidade de medir forças, ampliar espaços e definir o grau de influência que terão nos próximos anos.
Até fevereiro, muita coisa pode mudar. Alianças que hoje parecem prováveis podem se desfazer, candidaturas podem ganhar força e novos acordos podem surgir. Mas uma coisa já está clara: a disputa pela presidência da ALRN começou quando as urnas fecharam em 25 de outubro, antes mesmo da posse do novo governo, e o resultado ajudará a revelar quem terá força para negociar, quem ficará isolado e como será desenhada a governabilidade no Rio Grande do Norte.
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