Polícia
por José Nilton Jr.
Publicado em 06/03/2026, às 15h21
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira (6) que não teve acesso às quebras de sigilo do celular do banqueiro Daniel Vorcaro enquanto foi relator do inquérito que investiga supostas fraudes no Banco Master.
Segundo manifestação divulgada por seu gabinete, os dados obtidos com a quebra de sigilo só chegaram ao STF após 12 de fevereiro, quando a relatoria do processo passou para o ministro André Mendonça.
A nota foi divulgada para rebater suspeitas de que a condução da investigação poderia ter sido prejudicada durante o período em que Toffoli esteve à frente do caso.
Na declaração, Toffoli ressaltou que autorizou todos os pedidos de medidas cautelares apresentados pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) enquanto esteve na relatoria.
O ministro também afirmou que a investigação seguiu normalmente durante sua condução, sem qualquer interferência que pudesse comprometer a apuração dos fatos. De acordo com o gabinete, nenhum pedido de anulação de medidas foi aceito durante o período em que o processo esteve sob sua responsabilidade.
No mês passado, Toffoli decidiu deixar a relatoria do inquérito após a Polícia Federal informar ao presidente do STF, Edson Fachin, que o nome do ministro apareceu em mensagens encontradas no celular de Vorcaro.
O aparelho do banqueiro havia sido apreendido durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, iniciada no ano passado.
Toffoli também é um dos proprietários do Resort Tayayá, localizado no Paraná, empreendimento que foi adquirido por um fundo de investimentos ligado ao Banco Master, instituição investigada no caso.
Vorcaro foi preso novamente pela Polícia Federal na terceira fase da Operação Compliance Zero. Ele já havia sido alvo de prisão na etapa anterior da operação, mas conseguiu liberdade provisória e passou a usar tornozeleira eletrônica.
Segundo as investigações, mensagens encontradas no celular do banqueiro indicariam ameaças a jornalistas e a pessoas que teriam agido contra seus interesses.
A operação apura um esquema de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, que pode ter causado prejuízos estimados em até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos, responsável por ressarcir investidores em casos de quebra de instituições financeiras.
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