Polícia

Nordeste é alvo principal de facções e milícias do Brasil: desigualdade abre espaço para o convívio com o crime e quase 30 milhões de brasileiros vivem em áreas de risco

Divulgação/Polícia Civil do RN
Dados de pesquisa da DataFolha mostram que a desigualdade de renda e raça contribui para a expansão do crime organizado em áreas vulneráveis  |   BNews RN - Divulgação Divulgação/Polícia Civil do RN
Dani Oliveira

por Dani Oliveira

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Publicado em 16/10/2025, às 08h05



Cerca de 28,5 milhões de brasileiros vivem em áreas sob controle do crime organizado, com 19% da população relatando a presença de facções ou milícias em suas comunidades, segundo pesquisa do Datafolha. O aumento da criminalidade reflete uma expansão territorial das organizações criminosas, especialmente em áreas urbanas com menor presença do Estado.

O estudo, que entrevistou 2.007 pessoas em 130 municípios, revela que a convivência com o crime organizado cresceu de 14% para 19% em um ano, destacando também o aumento de cemitérios clandestinos e a normalização da violência nas grandes cidades. A desigualdade racial e econômica é evidente, com 23% dos negros relatando viver em áreas dominadas por grupos criminosos, em comparação a 13% dos brancos.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que a presença de facções se manifesta não apenas em confrontos armados, mas também em extorsões e serviços substitutivos ao Estado. A situação atual requer uma resposta efetiva das políticas públicas para combater a vulnerabilidade social e a expansão do crime organizado.

Resumo gerado por IA

Um total de 28,5 milhões de brasileiros afirma viver em bairros onde o crime organizado exerce algum tipo de controle, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (16).

O levantamento, encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revela que 19% da população nacional convive com facções criminosas ou milícias atuando de forma ostensiva nas comunidades.

O estudo entrevistou 2.007 pessoas com mais de 16 anos, entre os dias 2 e 6 de junho de 2025, em 130 municípios de todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Além da presença de grupos armados, o questionário analisou a percepção da população sobre roubos, agressões e crimes digitais, como golpes financeiros praticados em aplicativos e redes sociais.

Presença de grupos criminosos cresce em 2025
Os dados indicam um aumento generalizado da presença de organizações criminosas e de práticas ilegais entre 2024 e 2025. Segundo o levantamento, o percentual de moradores que dizem viver em áreas dominadas subiu de 14% para 19% em apenas um ano.

Outros indicadores também chamam atenção:
→ Cemitérios clandestinos foram citados por 12% dos entrevistados, contra 8% no ano anterior.
→ Áreas conhecidas como “cracolândias” estão no trajeto diário de 19% das pessoas, ante 17% em 2024.
→ Serviços de segurança privada oferecidos por policiais de folga cresceram de 18% para 21% em um ano.

Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os números apontam para um cenário de expansão territorial e social das milícias e facções, especialmente em contextos urbanos onde o Estado é menos presente.

Segundo o levantamento, o percentual de moradores que dizem viver em áreas dominadas subiu de 14% para 19% em apenas um ano. Imagem: SESED RN.
Segundo o levantamento, o percentual de moradores que dizem viver em áreas dominadas subiu de 14% para 19% em apenas um ano. Imagem: SESED RN.

Nordeste concentra mais casos e desigualdade é evidente
A pesquisa mostra que o Nordeste é a região com maior relato de convivência com o crime organizado, especialmente em capitais e cidades com mais de 500 mil habitantes.

A desigualdade também aparece de forma evidente nos recortes de renda e raça. Entre os brasileiros que ganham até dois salários mínimos (R$ 3.036), 19% afirmam viver sob influência de grupos criminosos. Já entre aqueles com renda entre cinco e dez salários mínimos, o índice é 18%.

A diferença se amplia quando analisado o perfil racial: 23% dos entrevistados que se autodeclaram pretos afirmaram viver em áreas dominadas, contra 13% entre brancos.

Esses dados reforçam a relação direta entre vulnerabilidade social e avanço das facções, indicando que o poder paralelo tende a ocupar espaços onde faltam políticas públicas de segurança, educação e infraestrutura.

Criminalidade cotidiana e sensação de abandono
O levantamento também registra que o sentimento de insegurança tem se tornado parte da rotina das grandes cidades. Muitos entrevistados relataram mudanças de trajeto, medo de sair à noite e normalização da violência nas comunidades onde vivem.

Segundo o FBSP, a presença das facções não se restringe mais a confrontos armados ou controle territorial — ela se manifesta também em extorsões, cobrança de “taxas de segurança” e até na oferta de serviços substitutos ao Estado, como transporte e energia.

A expansão das milícias e facções, que começou nas periferias urbanas, agora atinge zonas centrais e regiões metropolitanas, refletindo um fenômeno nacional de criminalidade organizada e descentralizada.

Classificação Indicativa: Livre

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