Polícia

Dinheiro em mochilas e BMW: o que a PF descobriu na casa do secretário de confiança de Allyson

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Investigação detalha o papel de Almir Mariano, secretário de Programas e Projetos de Mossoró, no esquema de desvios de recursos na saúde de Mossoró  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/Internet

Publicado em 11/02/2026, às 09h46   Malu Machado



A Polícia Federal apreendeu R$ 57,5 mil em espécie na casa de Almir Mariano, secretário de Programas e Projetos de Mossoró, durante a Operação Mederi, que investiga fraudes na saúde municipal, implicando diretamente o prefeito Allyson Bezerra.

Almir Mariano é acusado de garantir a continuidade de um esquema de desvios de recursos, mantendo a equipe anterior e homologando pagamentos a empresas que não entregavam os produtos, o que levanta sérias questões sobre a gestão pública na saúde.

Medidas judiciais foram tomadas, incluindo busca e apreensão nos endereços de Almir e a quebra de sigilo digital, permitindo a coleta de dados relevantes para a investigação, que também envolve sua sucessora na pasta, Morgana Dantas.

Resumo gerado por IA

Durante desdobramentos da Operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal (PF), foram apreendidos R$ 57,5 mil em espécie na residência de Almir Mariano, atual secretário de Programas e Projetos de Mossoró e ex-titular da Saúde.

Descrito pela investigação como um "homem de confiança" do prefeito Allyson Bezerra, Almir é apontado como o gerente administrativo que validava formalmente contratos e pagamentos fraudulentos.

Os maços de dinheiro foram encontrados distribuídos em diversos cômodos da casa, incluindo mochilas e gavetas. Além do montante em espécie, os agentes registraram a apreensão de três veículos:

  • uma BMW X1 (de propriedade do secretário);
  • uma Triton L-200 (atribuída ao namorado de Almir);
  • uma Mitsubishi L200 Triton pertencente à Ufersa, instituição onde o secretário atua como professor.
Carros apreendidos na casa de Almir Mariano. Foto: reprodução/Blog do Dina
Carros apreendidos na casa de Almir Mariano. Foto: reprodução/Blog do Dina

A engrenagem administrativa das fraudes

Segundo a Polícia Federal, Almir Mariano desempenhou um papel fundamental na manutenção dos desvios de recursos na saúde de Mossoró. A investigação sustenta que ele garantiu a continuidade do esquema após assumir a pasta em janeiro de 2025. Entre as condutas atribuídas ao secretário pela PF, estão:

  • Manutenção da equipe operacional: Almir manteve nos cargos a mesma gestora de contratos e o mesmo fiscal da gestão anterior, ambos apontados como executores das fraudes ao atestarem o recebimento de medicamentos nunca entregues.
  • Homologação e pagamentos: como ordenador de despesas, sua assinatura vinculou o erário a pagamentos em favor da empresa DISMED por produtos que, segundo escutas telefônicas, não eram entregues em sua totalidade.
  • Conivência deliberada: a PF conclui que a fraude (pagar por 100% e receber 50%) seria impossível sem a anuência do secretário, configurando uma omissão deliberada diante de irregularidades graves.

Sucessão na fraude e medidas judiciais

A investigação aponta uma sucessão de comandos na Secretaria de Saúde vinculada ao esquema. Almir Mariano ocupou a pasta entre janeiro e agosto de 2025, sendo sucedido por Morgana Dantas, que também foi alvo da operação e já havia comandado a saúde anteriormente.

Como parte das medidas cautelares autorizadas pela Justiça, Almir foi alvo de busca e apreensão em seus endereços residencial e funcional em 27 de janeiro de 2026. Além disso, foi determinada a quebra de sigilo digital, permitindo a extração de dados de seus dispositivos e contas em nuvem referentes aos últimos 24 meses.

Classificação Indicativa: Livre

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