Polícia
O noticiário policial potiguar é vasto. E quando o tema é violência contra crianças, não faltam histórias de crimes bárbaros que destruíram sonhos e acabaram com infâncias, juventudes, vidas. Assassinada há uma semana, a pequena Pétala Yonah Silva Nunes, de 7 anos, tornou-se símbolo e mais um exemplo da doença e da maldade humana. A menina foi enterrada viva pelo ex-padrasto.
Para a delegada Paoulla Maués, titular da Delegacia de Crimes de Racismo, Intolerância e Discriminação de Natal, é preciso redobrar a atenção e a vigilância com a proteção infantil. E ela explica o motivo:
"A perversidade está na mente do adulto. Ela não é exteriorizada e facilmente identificada. Por outro lado, a criança é muito inocente e vulnerável. Ela não tem a vivência e o amadurecimento para perceber a maldade e a intenção do seu algoz".
"A gente não pode relaxar quando o assunto é cuidado com a criança, porque não sabemos o que está na cabeça do adulto criminoso. O pior é que os algozes de crianças, infelizmente, em sua maioria, são muito próximos à casa, são muito próximos à família, eles ganham a confiança de todos através do convívio e estão fora de qualquer suspeita. A criança não tem o amadurecimento necessário para perceber que aquele adulto que faz parte do seu lar e convive com seus familiares pode ser um algoz, e desejar-lhe o mal. Precisamos redobrar a vigilância”, acrescenta a delegada.
No caso da pequena Pétala, a delegada chama a atenção para uma situação que é muito difícil de prever. “A mãe colocou para dentro de casa, para fazer parte do seu lar e de sua rotina, uma pessoa até então desconhecida e a qualificou como padrasto. Então, como é que a criança vai entender que aquele padrasto vai machucá-la, vai matá-la? Ela não vai entender isso! Temos aí uma vítima que realmente não sabe expressar o seu sentimento, tampouco perceber a má intenção do outro".
"Muitas crianças não conseguem expressar os sentimentos, não conseguem dizer por que não gostam da pessoa ou reconhecer que aquele adulto está lhe agredindo, está lhe assediando. E, em muitas situações, quando a criança consegue transmitir os fatos que estão ocorrendo, é descredibilizada pelos seus familiares, sendo imediatamente retrucada: ‘essa menina inventa e aumenta as coisas’. É uma violência psicológica muito grande”, destacou Paoulla.
Abaixo, relembre casos de extrema crueldade e que também causaram revolta e indignação no Rio Grande do Norte
É o caso mais recente. Aconteceu no domingo passado, dia 19, quando Pétala desapareceu. Familiares e amigos mobilizaram a comunidade do Leningrado, no bairro Guarapes, na Zona Oeste da capital potiguar, em busca da criança.
Na segunda-feira (20) pela manhã, buscas na casa do ex-padrasto José Alves Teixeira Sobrinho, de 23 anos, encontraram o corpo da menina. Estava enterrado no quintal da residência, em uma cova rasa. Não havia indícios de violência sexual, mas a Polícia Civil ainda aguarda o resultado de exames periciais. Os laudos também devem esclarecer a causa da morte.
Segundo confissão do próprio José Alves, a menina foi amarrada com fios de um carregador de celular, amordaçada com fita adesiva e pedaços de saco plástico e colocada deitada dentro do buraco escavado no quintal. Ela teria morrido asfixiada, sem conseguir respirar.
O delegado da Divisão de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), Márcio Lemos, que investiga o caso, disse que o suspeito mudou diversas vezes a versão do crime desde o primeiro depoimento, mas admitiu que foi algo premeditado.
"A motivação do crime ficou clara: ele queria atingir a ex-companheira, com quem morava até janeiro deste ano, por não aceitar o fim do relacionamento".
José foi enquadrado no crime de vicaricídio, além de ocultação de cadáver. O vicaricídio é uma nova tipificação penal no Brasil (criada pela Lei 15.384/2026), que define o assassinato de filhos, parentes ou pessoas próximas de uma mulher como forma de causar sofrimento psicológico, punição ou controle. Essa conduta, conhecida como violência vicária, passa a ser considerada crime hediondo, com penas severas.
Maria Fernanda da Silva Ramos, de 12 anos, foi vista pela última vez com vida no dia 31 de outubro de 2024, no bairro Golandim, em São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal. Ela saiu de casa para ir à Escola Municipal Genésio Cabral, onde estudava. O corpo da menina foi encontrado quatro dias depois, numa área de lagoas em Extremoz, também na Região Metropolitana da capital potiguar.
O pedreiro Alex Moreira da Silva, conhecido como Bila, de 35 anos, é o único suspeito do crime. Ex-vizinho da família de Maria Fernanda, ele foi preso no dia 4 de novembro, no distrito de Arenã, em São José de Mipibu, e confessou ter assassinado a manina.
No dia seguinte, detalhes da operação foram divulgados pela polícia, que informou que a menina foi estuprada e morta por espancamento. Mesmo sem antecedentes criminais, Alex demonstrou frieza ao relatar o crime e revelou habilidades em ocultar provas, o que levantou dúvidas sobre a possibilidade de envolvimento em outros crimes.
O delegado Márcio Lemos, responsável pelo caso, destacou que é importante aprofundar a investigação sobre o histórico do suspeito.
"Ele demonstrou uma frieza e um conhecimento muito grande de como se desfazer das provas”.
“Ele confessou ter matado a garota. Ele encontrou-se com ela por volta das 12h30. Segundo ele, marcaram um encontro para namorar”, disse a delegada-geral da Polícia Civil Ana Cláudia Saraiva, em coletiva de imprensa.
O suspeito ainda relatou, segundo a delegada, que conheceu Maria Fernanda na rua, enquanto o carro dele era consertado numa oficina. “Durante esse encontro, eles mantiveram relações sexuais, mas ainda está sendo apurado, porque houve um desentendimento, e ele matou Maria Fernanda. Ele queimou o carro e começou o processo de fuga”, disse a delegada.
O Tribunal do Júri condenou Alex Moreira a 41 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de feminicídio qualificado, estupro de vulnerável, fraude processual e ocultação de cadáver.
Maria Carla da Silva tinha 12 anos quando foi assassinada. O crime aconteceu em setembro de 2018, em Apodi, no Oeste potiguar.
Em novembro de 2019, o Tribunal de Júri condenou o homem acusado de assassinar a menina. Paulo Batista de Sousa, que era cunhado da vítima, pegou 23 anos e nove meses de prisão em regime fechado.
Paulo matou Maria Clara por estrangulamento, após dar uma carona para ela. Segundo a acusação, a ação foi premeditada pelo acusado após uma discussão familiar.
O denunciado chegou a assumir o crime, após dar várias declarações contraditórias à Polícia Civil, e indicou o local onde o corpo da vítima foi encontrado – um dia antes de completar um mês do seu desaparecimento – na zona rural do município. Junto ao corpo, estavam vários objetos pessoais de Maria Carla.
Aos 23 anos e nove meses da sentença ainda foram somados mais 8 anos de prisão, referentes a outra condenação imposta ao réu por também ter cometido o crime de estupro da irmã de Maria Carla.
"Agora estou saindo daqui feliz, porque ele não só sentou no banco dos réus, mas foi condenado".
A declaração foi dada por Rosilene Fernandes, mãe da adolescente Maria Luiza Fernandes Bezerra, de 15 anos, morta em 2009 na Zona Oeste de Natal. A adolescente foi cruelmente torturada, estuprada e assassinada. O corpo dela, que também foi molestado, foi encontrado despido em um antigo lixão da cidade.
O principal acusado do homicídio, Thiago Felipe Rodrigues Pereira, o 'Thiago Cabeção', à época com 27 anos, foi condenado a 26 anos e três meses de prisão em regime fechado. Em 17 de março de 2016, o segundo acusado também foi condenado. Kleisson de Souza Freitas Silva, de 34 anos, pegou 24 anos e 9 meses de prisão em regime fechado.
Maria Luiza saiu de casa no dia 21 de abril de 2009 (feriado de Tiradentes) para se encontrar com o namorado em uma lan house. Ela não chegou ao destino. Seis dias depois, o corpo da adolescente foi encontrado nu e já em avançado estado de decomposição em um lixão no bairro de Felipe Camarão. A perícia constatou que a adolescente foi estuprada e estrangulada.
O promotor Augusto Flávio Azevedo contou que o assassinato de Maria Luiza teve uma "combinação de desejo e estímulo de droga". "Há um desejo reprimido pela moça da parte de um dos acusados, o Thiago, e um flagrante do envolvimento de ambos os acusados com drogas. Os dois andavam juntos. Era um dia esquisito e chuvoso quando a menina foi pega a força e colocada em um carro. Ela sofreu diversos abusos, foi morta e o corpo foi desovado", acrescentou.
O caso de Maisla Mariano Santos de Moura, de 11 anos, é certamente um dos crimes mais brutais da história policial do Rio Grande do Norte. Aconteceu em 12 de maio de 2009, em São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal.
A menina saiu de casa para comprar doces e lanches para sua festa de aniversário. Partes do corpo dela foram sendo encontrados aos poucos, no passar dos dias. Maisla havia sido estuprada e esquartejada em 11 pedaços, espalhados em sacos plásticos por terrenos baldios na Zona Norte de Natal.
Além da violência sexual, laudos concluíram que Maisla também sofreu tortura e facadas antes de ser desmembrada.
O vendedor ambulante Osvaldo Pereira de Aguiar, à época com 56 anos, foi identificado como o autor do crime. Ele foi levado a júri popular em março de 2011, e condenado em um dos julgamentos mais longos do estado. A sentença inicial foi de 41 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado, violência sexual e ocultação de cadáver.
Em 19 de junho de 2019, o pedreiro Marcondes Gomes da Silva foi condenado a 31 anos de prisão pela morte da estudante Iasmin Lorena Pereira de Melo, de 12 anos – crime ocorrido em março de 2018 na comunidade da África, no bairro da Redinha, Zona Norte de Natal.
Marcondes foi a júri popular pelos crimes de homicídio triplamente qualificado (motivo fútil, impossibilidade de defesa da vítima e emprego de meio cruel), estupro de vulnerável e ocultação de cadáver.
"Nada vai trazer a Iasmin de volta, mas a aplicação de uma pena rigorosa, bem acima dos 20 anos de reclusão, vai aliviar um pouco a dor da família".
A fala foi do advogado Emanuel Grilo, que atuou no julgamento como assistente de acusação.
Iasmin foi vista com vida pela última vez por volta das 13h do dia 28 de março de 2018. De acordo com a família, a menina saiu de casa para entregar um dinheiro a uma vizinha a pedido da mãe. Porém, ela não chegou lá. A mulher que receberia o dinheiro mora em uma rua próxima, e disse que a menina não apareceu. A família então procurou a polícia e registrou o desaparecimento da garota. Foi quando começaram as buscas por Iasmim.
No dia 24 de abril, quase um mês depois do desaparecimento, cães farejadores do canil do Batalhão de Choque da PM ajudaram a encontrar o corpo. O cadáver estava enterrado no piso de uma casa em construção, na mesma rua onde Iasmin morava. Antes de ser enterrada, a menina foi estrangulada com um cabo de aço de bicicleta.
O corpo de Iasmin só foi oficialmente identificado 56 dias depois de ser encontrado. Foi preciso um exame de DNA, pois o cadáver estava em avançado estado de decomposição. Somente então pôde ser liberado para a família e sepultado.
Um dos episódios mais bárbaros envolvendo crimes sexuais e assassinatos de crianças no Rio Grande do Norte, sem sombra de dúvidas, é a história do auxiliar de serviços gerais Misael Pereira da Silva. Em 1999, ao ser capturado, ficou conhecido como o “Maníaco da Bicicleta”. Ele tinha 30 anos quando foi preso.
Misael foi condenado a mais de 100 anos de cadeia pelo estupro de 13 crianças – duas delas foram estranguladas até a morte. Os crimes aconteceram entre os anos de 1998 e 1999. As que sobreviveram escaparam porque desmaiaram durante a asfixia.
O criminoso foi detido por populares saindo de um matagal na praia de Genipabu, em Extremoz, na Grande Natal. No momento, ele havia acabado de fazer sua última vítima: Maranne de Oliveira Costa Fernandes, de 8 anos.
Levado à delegacia, Misael confessou também o assassinato de Márcia Cristina Arcanjo, de 10 anos, encontrada morta no conjunto Parque dos Coqueiros, na Zona Norte da capital.
Depois da prisão do assassino, seis meninas com idades entre 8 e 11 anos participaram de uma sessão de reconhecimento na polícia e identificaram Misael. Em contou que usava bichinhos de pelúcia, doces e brinquedos para atrair e convencer as crianças a seguirem com ele na garupa de sua bicicleta. As vítimas eram escolhidas ao acaso, durante o percurso feito por ele até o local de trabalho.
Em depoimento, o Maníaco da Bicicleta ainda relatou que “sentia prazer ao ver suas vítimas agonizando”, e “um desejo irresistível, seguido de ira".
Leia também
Classificação Indicativa: Livre
Modo Karaokê
som poderoso
Notebook Poderoso
famoso copo
Smartwatch top