Polícia

Após ouvir testemunhas e réus do Massacre de Alcaçuz, TJRN inicia nova etapa do julgamento

Massacre de Alcaçuz aconteceu em janeiro de 2017 - Andressa Anholete/AFP
São 15 os presos que deverão sentar no banco dos réus por causa da carnificina. Um dos acusados, no entanto, segue foragido  |   BNews RN - Divulgação Massacre de Alcaçuz aconteceu em janeiro de 2017 - Andressa Anholete/AFP
Anderson Barbosa

por Anderson Barbosa

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Publicado em 23/10/2025, às 14h41



A Justiça do Rio Grande do Norte concluiu as oitivas das testemunhas e de todos os réus acusados de participarem diretamente da maior matança já ocorrida dentro do sistema carcerário potiguar.

O Massacre de Alcaçuz, como ficou conhecido o episódio, aconteceu em janeiro de 2017. Ao todo, 27 detentos foram decapitados, esquartejados e/ou mutilados e queimados durante um confronto envolvendo faccionados do Sindicato do Crime do RN e o Primeiro Comando da Capital, o PCC. 

15 réus

São 15 os presos que deverão ir a júri popular por causa da carnificina. Um dos acusados, no entanto, segue foragido e ainda é procurado pela polícia. Como o caso está em sigilo judicial, os nomes dos réus não foram revelados.  

O processo que julga o Massacre de Alcaçuz está sob a responsabilidade da Unidade Judiciária de Delitos de Organizações Criminosas da Comarca de Natal (Ujudocrim), órgão vinculado ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN).  

Segundo o TJRN, todos os 14 réus que permanecem presos foram ouvidos. Das 36 testemunhas inicialmente indicadas no processo, sete testemunhas de acusação foram ouvidas e 28 dispensadas. Uma testemunha de defesa foi a última a prestar depoimento, fato ocorrido ainda na primeira semana deste mês.

Coronel ouvido

Uma das sete testemunhas de acusação foi o deputado estadual Coronel Azevedo, que à época do ocorrido comandava a Polícia Militar. Por orientação jurídica, a assessoria do parlamentar disse que ele não dará entrevistas em razão do sigilo do processo.

Próximos passos

O próximo passo, ainda de acordo com o TJRN, será a apresentação das alegações finais das duas partes, tanto da acusação quanto da defesa. Em seguida, o processo seguirá para a fase da pronúncia/impronúncia. Em caso de pronúncia, os acusados irão a júri popular.

27 presos mortos durante o massacre
27 presos mortos durante o massacre

O Massacre de Alcaçuz

O Massacre de Alcaçuz aconteceu em janeiro de 2017, quando membros do PCC, então encarcerados no Pavilhão 5 (como era chamada a única ala do Presídio Rogério Coutinho Madruga) serraram as grades das celas, passaram pela cerca que separava a unidade, invadiram a Penitenciária de Alcaçuz e arrombaram o muro do Pavilhão 4, que era ocupado por membros rivais do Sindicato do Crime do RN.

Durante duas semanas, Alcaçuz ficou sob domínio dos detentos, com cenas de extrema violência. O episódio gerou forte repercussão nacional e internacional, evidenciando a crise no sistema prisional potiguar e a falência na gestão da segurança pública à época.

A resposta do Estado e do Governo Federal incluiu o envio de tropas da Força Nacional e mudanças na administração da penitenciária. A retomada de Alcaçuz aconteceu somente no dia 27 de janeiro, 14 dias após o estouro da rebelião e a matança. 

Dos 27 presos mortos durante o massacre, um corpo nunca foi identificado, sendo enterrado como indigente. Outro, que jamais foi encontrado, só foi contabilizado oficialmente quase três anos após a matança.  

Lista oficial dos presos mortos no Massacre de Alcaçuz

  1. Jefferson Pedroza Cardozo
  2. George Santos de Lima Júnior
  3. Willian Anden Santos de Souza
  4. Antônio Barbosa do Nascimento Neto
  5. Carlos Clayton Paixão da Silva
  6. Jonas Victor de Barros Nascimento
  7. Marcos Aurélio Costa do Nascimento
  8. Anderson Barbalho da Silva
  9. Cícero Israel de Santana
  10. Marlon Pietro da Silva Nascimento
  11. Eduardo dos Reis
  12. Jefferson Souza dos Santos
  13. Felipe Rene Silva de Oliveira
  14. Charmon Chagas da Silva
  15. Diego Felipe Pereira da Silva
  16. Anderson Mateus Félix dos Santos
  17. Luiz Carlos da Costa
  18. Tarcísio Bernardino da Silva
  19. Francisco Adriano Morais dos Santos
  20. Lenilson de Oliveira Melo Silva
  21. Diego Melo de Ferreira
  22. França Pereira do Nascimento
  23. José Marcelo da Cruz
  24. Caio Henrique Pereira de Lima
  25. Guilherme Ely Figueiredo da Silva
  26. Rodrigo José Leandro dos Santos, o 'Rodrigo Pantera'
  27. *Apenas um corpo não foi identificado. Como não foi reivindicado por nenhuma família, o cadáver foi sepultado como indigente.

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