Polícia
O adolescente suspeito de ter matado um motorista por aplicativo dentro de um hotel de João Pessoa, crime ocorrido neste último final de semana, possui envolvimento com vários crimes no Rio Grande do Norte.
Segundo as investigações, o rapaz, que tem 17 anos, possui um histórico longo de passagens pela polícia. Em coletiva de imprensa realizada na capital paraibana logo após o adolescente se entregar, os investigadores informaram que pelo menos 17 boletins de ocorrência foram registrados contra ele. O suspeito se apresentou em uma delegacia de Polícia Civil de Caicó, na região Seridó potiguar.
Segundo a Polícia Civil da Paraíba, o adolescente também já havia sido internado em uma unidade socioeducativa destinada a menores infratores em razão de atos anteriores.
Entre os registros estão ocorrências envolvendo atos infracionais análogos a furto qualificado, extorsão, perseguição (stalking), ameaça, violência doméstica e lesão corporal no contexto de violência doméstica, além de outros delitos.
O crime ocorreu na madrugada da sexta-feira (24), em um hotel no bairro Manaíra, em João Pessoa. As investigações apontam que o adolescente teria utilizado um nome falso para realizar o check-in no hotel e deixou o estabelecimento sem registrar oficialmente a saída. O caso é conduzido pela Delegacia da Infância e da Juventude de João Pessoa.
O motorista de aplicativos Washington Rodrigo de Souza Silva, de 32 anos, foi encontrado morto sobre a cama do quarto do hotel com as mãos amarradas, um fio enrolado no pescoço e um pano na boca.
Segundo o delegado Diego Garcia, o adolescente chegou a João Pessoa na quinta-feira (23). Ainda naquele dia, ele teria acessado um site de relacionamento, encontrado Washington Rodrigo e iniciado uma conversa por meio do contato disponibilizado na plataforma.
Conforme o delegado, os dois passaram a trocar mensagens por um aplicativo após o primeiro contato e combinaram de se encontrar no dia seguinte.
Em entrevista à TV Cabo Branco, o advogado do adolescente contou que o cliente pesquisou anúncios publicados no site e que a escolha de Washington Rodrigo teria ocorrido de forma aleatória. Para entrar no hotel, segundo a defesa, o adolescente teria apresentado um documento falso.
O encontro ocorreu na madrugada da sexta (24), no próprio hotel. Ainda de acordo com a Polícia Civil, o adolescente relatou aos investigadores que se sentiu intimidado durante o encontro ao suspeitar que Washington Rodrigo teria registrado parte do momento íntimo entre os dois. Por este motivo, o rapaz teria matado o motorista.
"Alegou que se sentiu intimidado e ameaçado pela vítima que supostamente teria fotografado alguma parte do momento íntimo dos dois, ao passo que fez ele se algemar, simulando um fetiche, e, mediante o uso de uma airsoft, o constrangeu para entregar seu celular para que ele verificasse se havia mensagem ou fotografias em detrimento de sua pessoa, já que ele se acha um teólogo e por isso não poderia ter a imagem corrompida", disse o delegado.
A família de Washington Rodrigo pede respeito ao momento de luto. Parentes lamentaram a disseminação de informações que, segundo eles, colocam em dúvida a atividade profissional exercida pelo jovem.
Ainda de acordo com a família, Washington trabalhava como motorista por aplicativo e também realizava corridas combinadas por fora da plataforma. Os familiares negam as especulações de que ele teria ido ao hotel para fazer um programa e afirmam que o jovem foi ao local para atender a uma solicitação de transporte.
Segundo os parentes, Washington teria sido chamado para buscar uma pessoa no hotel e realizar uma viagem com destino à Praia da Pipa, no Rio Grande do Norte. A família afirma desconhecer o motivo pelo qual ele entrou no apartamento do hotel onde foi encontrado morto.
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