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Valor das exportações do minério cresce 356% no RN; entenda a razão

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No primeiro semestre de 2026, o RN movimentou US$ 6,8 milhões com exportações de tungstênio, um crescimento significativo em relação ao ano anterior  |   BNews RN - Divulgação Foto: Alex Régis
Redação

por Redação

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Publicado em 26/08/2026, às 09h33



O Rio Grande do Norte registrou uma forte valorização nas exportações de tungstênio no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, o Estado movimentou US$ 6,8 milhões com as vendas do mineral ao exterior, um crescimento de 356% em relação aos US$ 1,5 milhão registrados no mesmo período de 2025.

O avanço ocorre em um cenário de alta dos preços internacionais do tungstênio e colocou o mineral na segunda posição entre os recursos minerais que mais geram Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) no RN, atrás apenas do ouro.

Os dados constam na Análise da Balança Comercial do RN – 2020 a 2026 (1º semestre), elaborada pelo Sebrae/RN. O levantamento mostra que o crescimento das exportações não foi provocado por um aumento expressivo da quantidade embarcada, mas principalmente pela disparada do valor do produto.

O contraste entre valor e volume ajuda a dimensionar a mudança no mercado. Nos primeiros seis meses de 2026, o Rio Grande do Norte exportou aproximadamente 88,5 toneladas de tungstênio. Em todo o ano de 2025, foram embarcadas 193 toneladas.

Mesmo com um volume menor no período analisado, o valor médio do mineral aumentou de forma significativa. O preço implícito por quilo passou de US$ 19,22 para US$ 76,98, uma valorização de aproximadamente quatro vezes.

O valor Free On Board (FOB), indicador que considera o preço da mercadoria no ponto de embarque, chegou a US$ 6,8 milhões somente no primeiro semestre de 2026.

Tungstênio já é segundo maior gerador de CFEM

A valorização também começa a aparecer na arrecadação mineral do Estado. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte (Sedec/RN), entre janeiro e julho de 2026, a CFEM proveniente do tungstênio alcançou cerca de R$ 1,5 milhão.

O montante representa uma parcela relevante da arrecadação mineral potiguar, que chegou a aproximadamente R$ 17 milhões no mesmo período.

A produção de tungstênio no Estado está concentrada principalmente em Currais Novos, na região do Seridó, tradicional área produtora de xelita, minério utilizado para a extração do metal.

Os Países Baixos foram o principal destino das exportações potiguares de tungstênio no período.

A produção de tungstênio no Estado está concentrada principalmente em Currais Novos, na região do Seridó, tradicional área produtora de xelita, minério utilizado para a extração do metal.
A produção de tungstênio no Estado está concentrada principalmente em Currais Novos, na região do Seridó, tradicional área produtora de xelita, minério utilizado para a extração do metal.

China restringe exportações e mercado reage

A disparada dos preços ocorre em meio a mudanças importantes no mercado internacional. A China, que concentra a maior produção mundial de tungstênio, vem adotando restrições às exportações do mineral.

Ao mesmo tempo, a procura pelo metal aumentou devido à sua utilização estratégica em diferentes segmentos industriais, incluindo a indústria de defesa, com aplicações na fabricação de munições e blindagens.

Segundo o estudo do Sebrae/RN, a combinação entre uma oferta internacional mais limitada e uma demanda aquecida contribuiu para levar o tungstênio a níveis recordes de preço em 2026.

Mineração potiguar volta a ganhar atratividade

O novo cenário já começa a modificar o comportamento do setor mineral no Rio Grande do Norte. Para Mário Tavares, presidente do Sindicato da Indústria da Extração de Metais Básicos e de Minerais Não Metálicos (Sindiminerais-RN), a procura pelo mineral aumentou de maneira expressiva.

Está todo mundo correndo atrás de tungstênio”, afirmou o presidente.

Segundo Tavares, a diferença nos preços da xelita demonstra a dimensão da valorização. Ele relata que, há cerca de cinco anos, chegou a comercializar o minério por aproximadamente R$ 0,50 por quilo. Atualmente, o preço pode alcançar R$ 850 por quilo.

“Hoje você chega em qualquer mina dessa, você tem que começar a conversar a partir de R$ 850. Então tá um preço muito bom, muito atrativo”, disse.

Alta do preço pode reativar áreas de mineração

Com a valorização do minério, áreas que anteriormente não apresentavam viabilidade econômica passaram a despertar novamente o interesse de empresas e trabalhadores.

De acordo com o presidente do Sindiminerais-RN, o movimento pode estimular a retomada da exploração em locais que estavam paralisados e incentivar a busca por novas reservas de xelita no Estado.

O setor já começa a registrar reflexos também no mercado de trabalho. Tavares relata que recebeu recentemente o contato de um trabalhador que informou ter encontrado um novo depósito mineral.

Hoje mesmo um trabalhador ligou dizendo que tinha descoberto um depósito mineral de xelita”, contou.

Reservas ainda são um desafio para o RN

Apesar do momento favorável para o setor, a disponibilidade de reservas continua sendo uma das principais limitações para uma expansão mais acelerada da produção potiguar.

Mário Tavares afirma que, até o momento, o Estado possui principalmente pequenas reservas conhecidas de xelita.

“O que nós temos aqui no RN, até agora, são pequenas reservas”, afirmou.

As principais jazidas em operação estão localizadas em Currais Novos, município onde a exploração mineral possui uma longa trajetória e remonta à década de 1940.

Segundo a Sedec, a atividade já passou por períodos de paralisação ao longo das décadas, especialmente em momentos de queda nos preços internacionais do minério.

Apesar do momento favorável para o setor, a disponibilidade de reservas continua sendo uma das principais limitações para uma expansão mais acelerada da produção potiguar.
Apesar do momento favorável para o setor, a disponibilidade de reservas continua sendo uma das principais limitações para uma expansão mais acelerada da produção potiguar.

Mercado começou a aquecer a partir de 2020

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico aponta que o mercado de tungstênio vem apresentando aquecimento desde 2020. Inicialmente, o movimento foi influenciado pelos impactos econômicos da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Posteriormente, disputas comerciais e tarifárias entre grandes economias também contribuíram para modificar as condições de oferta e demanda no mercado internacional.

Para a Sedec, o fortalecimento da atividade pode trazer efeitos positivos para o Rio Grande do Norte, principalmente por meio da criação de empregos, aumento da arrecadação e circulação de recursos nos municípios produtores.

O fortalecimento dessa atividade representa importantes benefícios para a economia estadual, especialmente pela geração de empregos, aumento da arrecadação de impostos e movimentação da economia dos municípios produtores e do próprio Estado”, destacou a pasta.

Metal também é estratégico para tecnologia e defesa

David Góis, gerente de Negócios, Inovação e Tecnologia do Sebrae-RN, destaca que a utilização do tungstênio em diferentes setores também ajuda a explicar a valorização internacional.

Além da indústria de defesa, o metal possui aplicações relacionadas a veículos elétricos, baterias e microchips, aumentando sua importância estratégica diante da transformação tecnológica e industrial em curso.

“Com as restrições impostas pela China, os mercados começaram a procurar outros fornecedores, e estados produtores, como o Rio Grande do Norte, estão se beneficiando desse momento de mercado”, afirmou.

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