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O ouro produzido em Currais Novos já representa 24,6% das exportações do Rio Grande do Norte e ganhou uma nova perspectiva de crescimento após um acordo que pode ampliar em 82% as reservas da Mina Borborema. Apenas entre janeiro e junho de 2026, o Estado exportou US$ 157,5 milhões em ouro, quase 29 vezes mais do que os US$ 5,5 milhões vendidos ao exterior durante todo o período de 2020 a 2024.
O avanço colocou o RN na sexta posição entre os estados brasileiros que mais exportam ouro, com 3,4% das vendas nacionais atribuídas às unidades da Federação. Minas Gerais lidera o mercado, com 49,7%, seguido pela Bahia, responsável por 15% das exportações brasileiras do metal.
Os dados fazem parte da Análise da Balança Comercial do RN, referente ao período de 2020 a 2026, elaborada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-RN). O levantamento relaciona a mudança na pauta comercial potiguar ao Projeto Borborema, da Aura Minerals.
O crescimento começou a aparecer de forma expressiva em 2025, primeiro ano de funcionamento da mina. Naquele ano, as vendas externas de ouro potiguar somaram US$ 248,7 milhões. Com os resultados do primeiro semestre de 2026, o acumulado dos 18 meses chega a US$ 406,2 milhões.
A transformação também pode ser medida pela quantidade exportada. Entre 2020 e 2024, o Estado vendeu pouco mais de 99 quilos de ouro ao exterior. Nos 18 meses seguintes, o volume ultrapassou 3 toneladas. Somente Currais Novos foi responsável por US$ 157,4 milhões em exportações no primeiro semestre deste ano.
A produção da Mina Borborema alcançou 31.352 onças equivalentes de ouro nos seis primeiros meses de 2026. Para todo o ano, a estimativa da empresa está entre 65 mil e 77 mil onças, indicando que a atividade ainda tem espaço para ampliar sua participação na economia potiguar.
A principal mudança para os próximos anos, porém, está em um acordo firmado neste mês. A Aura Minerals chegou a um entendimento com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para alterar o traçado da Rodovia Federal BR-226 na região da jazida.
A mudança permitirá o acesso a reservas que estavam limitadas pela passagem da rodovia. O acréscimo chega a 670 mil onças de ouro, elevando em 82% a base de reservas considerada anteriormente para o empreendimento.
Com a expansão, a vida útil estimada da operação passa de 11,3 anos para 20 anos e cinco meses. A produção total projetada também chega a aproximadamente 1,5 milhão de onças, equivalente a cerca de 20,8 toneladas de ouro.
O Canadá é atualmente o principal destino do ouro exportado pelo RN. Desde 2025, o país recebeu US$ 204,1 milhões em metal potiguar. A Suíça aparece em segundo lugar, com US$ 44,6 milhões.
Os dois países são importantes centros internacionais de refino, armazenamento, comercialização e negociação de ouro. Por isso, o destino registrado na balança comercial não significa necessariamente que todo o processamento ou a comercialização final do metal ocorram nesses locais.
O desempenho das exportações também está sujeito às oscilações do mercado internacional. Alterações na cotação do ouro podem elevar ou reduzir o valor negociado em dólares mesmo quando a quantidade produzida permanece estável. A concentração das vendas em poucos destinos também deixa a pauta sujeita a mudanças na demanda, na logística e nas regras internacionais para comercialização de metais preciosos.
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A Mina Borborema está localizada na Fazenda São Francisco, a aproximadamente 28 quilômetros da área urbana de Currais Novos. O empreendimento é operado pela Cascar Brasil Mineração, subsidiária da Aura Minerals, e utiliza lavra a céu aberto, seguida pelo processamento do minério por meio do sistema de carbono em lixiviação.
A implantação do projeto levou 19 meses e consumiu US$ 188 milhões. A estrutura reúne três concessões de lavra distribuídas por uma área de 29 quilômetros quadrados, consolidando a mineração de ouro como uma nova frente relevante da economia do município e das exportações estaduais.
Segundo informações geológicas divulgadas pela companhia, a jazida é a maior ocorrência conhecida de ouro no Cinturão Seridó. A mineralização está associada a uma zona de cisalhamento, estrutura geológica formada pela movimentação de blocos rochosos que favoreceu a circulação de fluidos responsáveis pela concentração do ouro.
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