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Tarifa dos EUA derruba exportações do RN e governo prepara possível reação comercial

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As exportações potiguares para os EUA despencaram, levando o governo a considerar medidas de reciprocidade comercial; entenda cenário  |   BNews RN - Divulgação Foto: Magnific
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 18/08/2026, às 15h08



As exportações do Rio Grande do Norte para os Estados Unidos despencaram 60,80% entre janeiro e maio de 2026, enquanto o governo brasileiro iniciou o processo que pode resultar em medidas de reciprocidade comercial contra os norte-americanos. A consulta a empresas brasileiras e estrangeiras foi aberta para avaliar os impactos de possíveis contramedidas antes de qualquer decisão.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na sexta-feira (14) que o governo pretende ouvir os setores que poderiam ser afetados pela reação brasileira. Segundo ele, a análise deve considerar efeitos sobre preços, cadeias produtivas, importadores e exportadores.

A abertura do procedimento, porém, não significa que o Brasil já tenha decidido retaliar os Estados Unidos. O processo começou formalmente na quinta-feira (13), após a imposição de tarifas de até 37,5% sobre determinados produtos brasileiros pelo governo norte-americano.

Exportações potiguares despencam

Os dados da plataforma Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que o RN deixou de exportar US$ 38,2 milhões para os Estados Unidos na comparação entre os cinco primeiros meses de 2025 e o mesmo período de 2026.

Entre janeiro e maio deste ano, as vendas potiguares para o mercado norte-americano somaram US$ 24,7 milhões, o equivalente a 5,1% de todas as exportações realizadas pelo Estado no período. Apenas em maio, a retração chegou a 87,20%.

A queda atinge segmentos importantes da economia potiguar. O pescado, especialmente atum e lagosta, registrou redução de 63,50% no acumulado do ano. Açúcares e melaços recuaram 45%, enquanto setores como fruticultura irrigada e indústria salineira também estão expostos às mudanças no mercado dos Estados Unidos.

Tarifas norte-americanas 

A política tarifária dos Estados Unidos passou por diferentes alterações desde 2025. A cobrança inicial de 50% foi revogada pela Suprema Corte norte-americana em fevereiro de 2026 e substituída por uma tarifa global de 10%.

Posteriormente, foram acrescentadas uma sobretaxa de 25% e outra de 12,5%, aplicada no contexto da política norte-americana relacionada ao combate ao trabalho forçado. Somadas, as medidas passaram a atingir aproximadamente US$ 7,4 bilhões em produtos brasileiros, cerca de 18% das exportações do Brasil para os Estados Unidos.

O governo norte-americano afirma que as tarifas são uma resposta a práticas comerciais consideradas injustas e a uma suposta fiscalização insuficiente relacionada ao trabalho forçado. O governo brasileiro contesta as justificativas e considera as medidas unilaterais.

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Governo ainda vai avaliar 

A análise de uma eventual reação brasileira será conduzida no âmbito da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que encaminhou o pedido aos integrantes do Comitê-Executivo de Gestão.

Caso a abertura seja aprovada, um grupo de trabalho deverá elaborar uma proposta de resposta. O material passará por nova consulta pública antes de uma decisão definitiva sobre quais medidas poderão ser adotadas.

A base jurídica é a Lei nº 15.122, conhecida como Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional em 2025 e regulamentada pelo Decreto nº 12.551 do mesmo ano. A legislação permite a suspensão de concessões comerciais quando medidas adotadas por outro país ou bloco prejudicarem a competitividade brasileira.

RN pode enfrentar novo cenário 

Entre as possibilidades previstas estão o aumento de tarifas de importação, a suspensão de isenções ou reduções tributárias e restrições à entrada de bens e serviços. A legislação também determina que as medidas adotadas sejam, sempre que possível, proporcionais aos prejuízos provocados pela ação estrangeira.

O ministro Dario Durigan ressaltou que o processo exige cautela e que a participação dos setores afetados será considerada antes de qualquer decisão. O governo também informou que pretende manter abertos os canais diplomáticos e comerciais com Washington.

Para o RN, a discussão ocorre em um cenário em que as exportações para os Estados Unidos já apresentam forte retração. Com a queda acumulada até maio, a participação do mercado norte-americano na pauta exportadora potiguar diminuiu, reduzindo o volume comercial que poderá ser diretamente afetado por eventuais novas medidas.

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