Negócios
Publicado em 30/12/2025, às 11h30 Malu Machado
O endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,3% em outubro, com o estoque total de crédito chegando a R$ 7 trilhões, o que pressiona o orçamento e aumenta o risco de inadimplência.
A taxa média de juros para pessoas físicas subiu para 59,4% ao ano, o maior nível desde 2017, impulsionada principalmente pelo crescimento do crédito consignado privado, que cresceu 257% no ano.
Em 2026, a nova faixa de isenção do Imposto de Renda pode aliviar o orçamento das famílias, mas a manutenção da taxa Selic em 15% até março restringirá o consumo e a contratação de novos empréstimos, mantendo o endividamento como uma prioridade para muitos.
O cenário de crédito no Brasil atingiu marcas históricas em outubro, pressionando o orçamento das famílias e aumentando o risco de inadimplência. Segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) na última sexta-feira (26), o endividamento das famílias brasileiras alcançou 49,3% e o estoque total de crédito no país chegou à marca de R$ 7 trilhões.
Apesar do aumento da oferta, o custo do dinheiro para o consumidor disparou: a taxa média de juros para pessoas físicas subiu para 59,4% ao ano, atingindo o maior patamar desde 2017.
O grande fator do avanço no endividamento é o crédito consignado privado. Beneficiada por programas como o "Crédito do Trabalhador", que estendeu o acesso a funcionários CLT, microempreendedores (MEIs) e motoristas de aplicativo, essa modalidade registrou um salto impressionante de 257% no ano.
O volume de concessões mensais disparou de cerca de R$ 1,6 bilhão para mais de R$ 6 bilhões. No entanto, essa facilidade tem um preço elevado. A projeção do BC é que os juros médios desse tipo de empréstimo subiram de 39,1% para uma estimativa de 57,1% ao ano, em apenas 12 meses.
O especialista em crédito Jorge Azevedo aponta que, em um panorama de juros tão altos e salários que não acompanham a inflação, a tendência é o aumento da inadimplência. Embora o endividamento possa ser positivo quando usado para gerar renda (como financiar um veículo para trabalho), o custo atual do crédito gera grande preocupação.
O próximo ano reserva um "cabo de guerra" para o bolso do brasileiro, com fatores econômicos atuando em sentidos opostos. A nova faixa de isenção do Imposto de Renda (IRPF) para salários de até R$ 5 mil folgar o orçamento das famílias a partir de janeiro. Porém, a manutenção da taxa Selic (taxa básica de juros da economia) em 15% até março de 2026 continuará restringindo o consumo e desestimulando novos empréstimos caros.
Segundo projeções do Banco Daycoval, o dinheiro extra da isenção do IR deve ser, em maior parte, destinado para crédito habitacional (26%), consignado (24%) e cartão de crédito (19%). Isso indica que, mesmo com o ganho de renda, o endividamento segue sendo uma prioridade, refletindo a dificuldade das famílias em aliviar totalmente a pressão das dívidas.
Classificação Indicativa: Livre
Modo Karaokê
som poderoso
Notebook Poderoso
famoso copo
Smartwatch top