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RN se anima com União Europeia, mas ainda tenta corrigir erro com mercado chinês para devolver camarão ao pódio

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O RN está tentando retomar as exportações do camarão produzido em território potiguar para o mercado asiático, em especial a China  |   BNews RN - Divulgação Imagem criada pela Meta IA
Anderson Barbosa

por Anderson Barbosa

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Publicado em 14/02/2026, às 06h00



O Rio Grande do Norte está tentando retomar as exportações do camarão produzido em território potiguar para a China e também com a União Europeia (UE). Tratativas começaram a acontecer nesta última semana, em reunião realizada em Brasília. Com o velho continente as tratativas avançaram. Porém, o Estado ainda tenta corrigir um erro técnico ocorrido com os chineses para que o crustáceo volte ao pódio mais alto da balança comercial.

"Estamos animados com a União Europeia", revelou o secretário estadual da Agricultura, da Pecuária e da Pesca (SAPE), Guilherme Saldanha. Porém, ele admite que a situação com os chineses, apesar de não ser algo tão complicado como parece, ainda vai levar algum tempo. "China ainda indefinido, apesar de ser o mais fácil", acrescentou.

Inicialmente, o RN perdeu competitividade internacional quando uma ação antidumping movida pelos pescadores da América do Norte, de camarão do Golfo do México, colocou o estado fora do maior mercado comprador.

Em 2012 a Comunidade Europeia baniu o pescado brasileiro pelo fato de embarcações pesqueiras brasileiras de captura não atenderem a certos requisitos sanitários. E o camarão de aquicultura entrou nessa relação de pescados. O fato é que, até hoje, o RN está proibido de exportar para a Europa. 

Antes do banimento, o RN chegou a exportar entre 8.000 e 12.000 toneladas por ano vinham sendo exportados do RN para a Europa.

O camarão Paenaues Vannamei, oriundo do Pacífico, é predominante no cultivo
O camarão Penaeus vannamei, oriundo do Pacífico, é predominante no cultivo

Erro técnico no cadastro gerou impasse

O desafio do RN com a China é superar impasses burocráticos e técnicos, com reuniões e visitas de importadores ao RN. Um dos objetivos é aproveitar o forte laço comercial já existente entre o Brasil e a China e o potencial consumidor que o mercado asiático tem diante do produto.

O processo de retomada chegou a acontecer em meados de 2025, mas acabou adiado por um erro técnico no cadastro. À época, o secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Pesca (SAPE), Guilherme Saldanha, explicou o que aconteceu em entrevista à Tribuna do Norte: 

"Infelizmente, houve uma falha no cadastramento do camarão. Apesar de terem caracterizado a espécie correta, que é o camarão vannamei (Litopenaeus vannamei), na complementação do cadastro eles erraram: colocaram o camarão vannamei de captura. Só que não existe no mundo camarão vannamei de captura. Ele é explorado através de cultivo”. 

Importadores chineses se mostram interessados no camarão potiguar, apesar de ainda não haver liberação definitiva.

A abertura do mercado chinês é vista como um marco crucial para a carcinicultura potiguar, fortalecendo a economia e gerando empregos.

China já é um dos principais parceiro comerciais do RN

Os laços comerciais entre o Rio Grande do Norte e a China vêm se fortalecendo nos últimos anos. Desde 2021, o país asiático já figura como um dos principais parceiros comerciais do estado. Em 2025, as importações potiguares originadas da China somaram mais de US$ 134,1 milhões. 

Camarão de alta qualidade

O camarão potiguar é considerado de alta qualidade, seguindo rígidos padrões de biossegurança, o que o torna competitivo para o mercado chinês.

Há discussões sobre a necessidade de melhorar a logística de escoamento (portos) e preparar a indústria para atender à demanda chinesa, que é enorme, mas exige adaptação.

O setor acredita que a questão envolve também vontade política e a necessidade de alinhar os requisitos sanitários e burocráticos entre os países.

Nordeste no centro da produção

A carcinicultura se consolidou como uma das bases do agronegócio nordestino, com destaque para os estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, que lideram a produção nacional. Juntos, eles produzem 99,6% de todo o camarão do Brasil. Foram mais de 120 mil toneladas no ano passado. 

Em 2024, o Brasil cultivou uma produção de 210 mil toneladas, somando aproximadamente R$ 6 bilhões em valor de mercado, um crescimento de 16,7% em relação ao ano anterior.

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