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Poupança afunda e brasileiros retiram mais de R$ 7 bilhões em julho

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Em julho de 2026, saques na caderneta de poupança superaram depósitos, resultando em uma saída líquida de R$ 7,15 bilhões, segundo o Banco Central  |   BNews RN - Divulgação © Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 10/08/2026, às 13h59



A caderneta de poupança perdeu R$ 7,15 bilhões em julho de 2026, com os saques superando os depósitos pelo segundo mês consecutivo, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) na sexta-feira (7). Ao todo, foram retirados R$ 377,92 bilhões, enquanto os depósitos somaram R$ 370,76 bilhões. O resultado representa uma forte aceleração da saída de recursos em relação a junho.

A diferença entre depósitos e retiradas aumentou de forma expressiva em apenas um mês. Em junho, os brasileiros haviam aplicado R$ 378,06 bilhões e sacado R$ 378,30 bilhões, gerando retirada líquida de R$ 237,5 milhões. Em julho, o saldo negativo foi mais de 30 vezes maior.

O movimento ocorreu principalmente porque os depósitos diminuíram mais do que os saques. Os aportes recuaram R$ 7,3 bilhões entre junho e julho, queda de 1,9%. As retiradas, por sua vez, tiveram redução de aproximadamente R$ 380 milhões, equivalente a apenas 0,1%.

Saída supera resultado do ano anterior

Na comparação com julho de 2025, a retirada líquida também aumentou. Naquele mês, os depósitos alcançaram R$ 363,57 bilhões, enquanto os saques chegaram a R$ 369,82 bilhões, resultando em uma saída de R$ 6,25 bilhões. Em 12 meses, portanto, a retirada líquida cresceu cerca de R$ 900 milhões, alta de 14,4%.

Os depósitos, apesar da retração mensal, ficaram R$ 7,19 bilhões acima do volume registrado um ano antes, crescimento de 2%. Os saques, entretanto, avançaram R$ 8,1 bilhões no mesmo período, alta de 2,2%. A diferença mostra que o aumento dos recursos depositados não acompanhou o crescimento das retiradas.

Mesmo com a saída líquida, o estoque da poupança permaneceu praticamente estável em relação a junho, próximo de R$ 1,02 trilhão. A remuneração creditada aos investidores ajuda a compensar parte dos valores retirados e impede que o saldo total recue na mesma proporção da captação líquida negativa.

Juros elevados aumentam concorrência

O estoque também apresentou crescimento nominal na comparação anual. Em julho de 2025, aproximadamente R$ 1,01 trilhão estava depositado na caderneta. Um ano depois, o volume estava cerca de R$ 10 bilhões maior. Em termos reais, porém, a alta de aproximadamente 1% ficou abaixo da inflação acumulada no período.

A perda de atratividade da poupança ocorre em um cenário de juros elevados. Títulos públicos, Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e fundos de renda fixa disputam os recursos dos investidores ao oferecer alternativas de remuneração que podem ser mais vantajosas em períodos de taxa básica de juros elevada.

Com a taxa Selic em 14% ao ano após a reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom), a diferença de rentabilidade tende a pesar na decisão dos investidores. A poupança, por sua regra de remuneração, paga 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR) quando a Selic está acima de 8,5% ao ano.

Apesar da remuneração menor, a caderneta possui características que ajudam a manter sua atratividade, como a isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas. Os depósitos também contam com proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), dentro dos limites estabelecidos pelo mecanismo.

Saques podem ter diferentes motivações

A saída de recursos também pode estar relacionada às necessidades financeiras das famílias, como pagamento de despesas e quitação de dívidas. Os dados divulgados pelo BC, entretanto, registram apenas o fluxo de depósitos e retiradas e não indicam qual foi a finalidade de cada movimentação.

Por isso, o resultado negativo de julho não pode ser atribuído a uma única causa. A combinação entre juros elevados, maior disponibilidade de alternativas de renda fixa e eventual utilização das reservas para despesas pode ajudar a explicar o comportamento observado na caderneta.

As informações detalhadas são divulgadas mensalmente pelo BC no Relatório de Poupança. O documento reúne dados sobre depósitos, saques, rendimentos, saldo e captação líquida do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e da poupança rural.

Classificação Indicativa: Livre

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