Cidades

Bilhões debaixo do asfalto: empresa canadense obtém aval para mudar traçado de rodovia no RN visando extração de ouro

Foto: reprodução internet
Aura Minerals planeja extrair 1,5 milhão de onças de ouro com novo traçado da rodovia em Currais Novos.  |   BNews RN - Divulgação Foto: reprodução internet
Ranyere Fonseca

por Ranyere Fonseca

[email protected]

Publicado em 07/03/2026, às 19h26



O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes autorizou a Aura Minerals a desviar um trecho da BR-226 em Currais Novos para acessar uma reserva de 20,8 toneladas de ouro, o que pode gerar uma receita de R$ 16 bilhões ao longo de duas décadas.

A nova estrada terá aproximadamente 6 km e será construída sem custos para o governo, com a Aura Minerals responsável pela execução do projeto, que deve ser concluído até maio de 2027.

Apesar das promessas econômicas, a mineração em larga escala levanta preocupações ambientais, especialmente devido à proximidade com o Seridó Geoparque Mundial da UNESCO e os desafios relacionados ao impacto sonoro, emissão de poeira e gestão hídrica.

Resumo gerado por IA

O cenário geológico do Seridó potiguar, já conhecido por sua riqueza mineral, está prestes a passar por uma mudança literal no mapa. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) autorizou a empresa canadense Aura Minerals a relocar um trecho da BR-226, na altura do município de Currais Novos. O motivo? A necessidade de acessar uma reserva gigantesca de ouro que se encontra exatamente abaixo do leito atual da rodovia.

Segundo estimativas técnicas, o trecho esconde aproximadamente 20,8 toneladas de ouro. Com a alteração do traçado, a expectativa da companhia é extrair até 1,5 milhão de onças ao longo das próximas duas décadas, o que pode gerar uma receita bruta estimada em R$ 16 bilhões.

Trecho desviado para as obras. Foto: reprodução.
Trecho desviado para as obras. Foto: reprodução.

Detalhes da obra

  • Novo trajeto: serão construídos aproximadamente 6 km de estrada para substituir os 5,3 km atuais (trecho entre os kms 146 e 150).
  • Custos: o DNIT foi enfático ao afirmar que a obra não trará nenhum ônus financeiro para o governo. A Aura Minerals será responsável integral pelo projeto e execução.
  • Cronograma: as obras devem começar em abril de 2026 e a previsão de entrega do novo traçado é maio de 2027.
  • Infraestrutura: além da pista, o projeto contempla o remanejamento de redes de energia e fibra óptica que passam pelo local.

O debate ambiental

Embora o projeto prometa ser um motor econômico para o interior, a mineração em larga escala levanta preocupações legítimas. A operação, que será feita a céu aberto com escavações de até 300 metros de profundidade, está situada em uma área próxima ao Seridó Geoparque Mundial da UNESCO.

Entre os principais desafios enfrentados pela empresa estão

  • Impacto sonoro e vibratório: decorrente das escavações e desmonte de rochas.
  • Emissão de poeira: controle rigoroso é exigido para proteger a fauna e comunidades próximas.
  • Gestão hídrica: ponto crítico no Seridó, a mineradora planeja utilizar água de esgoto tratado, trazida por uma tubulação de 27 km, para o beneficiamento do minério, um modelo que tenta mitigar o uso de fontes hídricas nobres.

O "Projeto Borborema", como é chamado, já iniciou a produção comercial em setembro de 2025. Com uma taxa de recuperação de ouro de 92,1%, a Aura Minerals aposta que este será um dos empreendimentos de mineração mais lucrativos do país, reacendendo a história garimpeira de Currais Novos iniciada ainda na década de 1940.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Whatsapp floating

Receba as notificações pelo Whatsapp

Quero me cadastrar Close whatsapp floating