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Publicado em 13/01/2026, às 06h59 Malu Machado
Em 2026, o Brasil apresenta um contraste econômico entre estados, com investimentos públicos crescendo em muitos lugares, enquanto o Rio Grande do Norte se destaca negativamente, ocupando a última posição no ranking nacional de investimentos.
Entre janeiro e outubro de 2025, os investimentos estaduais totalizaram R$ 67,7 bilhões, um aumento de 5,5% em relação ao ano anterior, impulsionados principalmente por operações de crédito, já que a arrecadação própria cresceu apenas 2%.
Enquanto estados vizinhos registraram aumentos significativos nos investimentos, o Rio Grande do Norte viu uma queda de 40,8% em relação ao ano anterior, enfrentando desafios fiscais que dificultam novos empréstimos e investimentos, o que pode comprometer seu desenvolvimento futuro.
O ano de 2026 começa sob a sombra de um contraste econômico nítido entre as gestões estaduais brasileiras. De um lado, o país vê uma arrancada nos investimentos públicos, impulsionada pelo clima pré-eleitoral e por uma melhora generalizada na saúde financeira dos estados. Do outro, o Rio Grande do Norte ocupa a última posição do ranking nacional, evidenciando uma dificuldade em acompanhar o ritmo de crescimento do restante do país. Os dados são do Valor Econômico.
Entre janeiro e outubro de 2025, os investimentos somados dos 26 estados e do Distrito Federal atingiram a marca de R$ 67,7 bilhões. O valor representa uma alta de 5,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Esse montante é quase o dobro do que foi investido em 2021, mostrando que os governadores estão utilizando o terceiro ano de mandato para entregar obras e ampliar a capacidade produtiva.
O grande motor dessa aceleração não foi a arrecadação própria (que cresceu apenas 2%), mas sim as operações de crédito. Com estados apresentando melhores notas de Capacidade de Pagamento (Capag), o acesso a empréstimos com garantia da União saltou 34,4%. Hoje, 78% dos entes federativos possuem notas A ou B, o que permite financiamentos mais baratos e volumosos.
Enquanto nove estados (incluindo vizinhos como Paraíba e Pernambuco) registraram altas superiores a 30% em seus investimentos, o Rio Grande do Norte seguiu o caminho oposto.
Os dados reunidos pela Aequus, com base no Tesouro Nacional, revelam um cenário preocupante para o estado:
A dificuldade de investimento no RN e em outros estados que não acompanharam a alta nacional pode ser explicada pelo descompasso fiscal. De forma geral, a despesa corrente (gastos públicos essenciais e recorrentes para a manutenção do funcionamento) dos estados subiu 4% em termos reais, enquanto as receitas cresceram apenas 2,1%.
Quando o custeio da máquina pública (salários, manutenção e serviços) consome a maior parte do orçamento e não há margem para empréstimos, o investimento é a primeira área a ser sacrificada.
Especialistas preveem que o fechamento dos dados de 2025 mostrará um patamar ainda mais alto de investimentos totais, tendência que deve se intensificar em 2026 devido ao calendário eleitoral. Para os estados que conseguiram "limpar o nome" e garantir boas notas de crédito, o ano promete ser de canteiros de obras cheios.
Já para aqueles que estão no final do ranking, como o Rio Grande do Norte, o desafio será encontrar fôlego financeiro para não travar o desenvolvimento regional diante de uma concorrência nacional cada vez mais ágil.
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