O mercado financeiro projeta inflação de 4,06% em 2026, segundo o primeiro Boletim Focus divulgado neste ano pelo Banco Central (BC), sinalizando estabilidade na maior parte dos indicadores acompanhados semanalmente pela autoridade monetária.
A estimativa representa uma leve alta em relação à semana anterior, quando a projeção era de 4,05%, encerrando uma sequência de oito revisões consecutivas de queda nas expectativas inflacionárias para o período.
Há quatro semanas, a mediana das projeções apontava inflação de 4,16% ao fim de 2026, o que reforça o cenário de acomodação gradual, ainda que acima do centro da meta oficial.
IPCA recua, mas segue no limite da meta
A inflação oficial é medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador que serve de referência para o regime de metas adotado pelo país.
A prévia de dezembro, conhecida como IPCA-15, registrou variação de 0,25%, fazendo com que o acumulado em 12 meses atingisse 4,41%, resultado ainda dentro do teto permitido pelo governo federal.
Foi o segundo mês consecutivo em que a inflação acumulada permaneceu dentro da margem de tolerância, após um período iniciado em janeiro em que o índice ficou acima do limite, alcançando o pico de 5,49% em abril.
Meta oficial e dados do IBGE
A meta de inflação é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e, para 2025, está fixada em 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, estabelecendo limites entre 1,5% e 4,5%.
Os dados oficiais da inflação são divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo e pela publicação do IPCA em nível nacional.
Para os anos seguintes, o mercado financeiro manteve as projeções inalteradas há nove semanas, estimando inflação de 3,80% em 2027 e de 3,50% em 2028.
PIB, dólar e juros seguem estáveis
As projeções para o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, indicam crescimento de 1,8% tanto em 2026 quanto em 2027, com avanço esperado de 2% em 2028.
No câmbio, o mercado financeiro estima que o dólar encerrará 2026 cotado a R$ 5,50, patamar mantido sem alterações há 12 semanas, enquanto as projeções para 2027 e 2028 são de R$ 5,50 e R$ 5,52, respectivamente.
Já a taxa básica de juros, a Selic, fechou 2025 em 15% ao ano e deve recuar para 12,25% em 2026, com novas quedas previstas para 10,50% em 2027 e 9,75% em 2028.
Selic no maior nível desde 2006
A Selic está no maior patamar desde julho de 2006, quando atingiu 15,25% ao ano, após uma trajetória de alta iniciada em setembro de 2024, depois de ter alcançado 10,5% em maio daquele ano.
A taxa chegou a 15% na reunião de junho e foi mantida nesse nível desde então, conforme decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), órgão responsável pela condução da política monetária.
Quando o Copom eleva a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, encarecendo o crédito e estimulando a poupança, o que ajuda a segurar a inflação, mas pode frear o crescimento econômico. Quando os juros caem, ocorre o movimento inverso, com estímulo ao consumo, à produção e à atividade econômica.