Negócios
por José Nilton Jr.
Publicado em 12/01/2026, às 15h41
O setor financeiro voltou a reduzir as expectativas de inflação para este ano de 2026, de acordo com o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (12). O documento indica que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo deve encerrar o ano em 4,05%. Na semana anterior, a previsão era de 4,06%.
Além disso, as estimativas são de estabilidade para os anos seguintes. Para o próximo ano, o mercado mantém a projeção de inflação em 3,80% e, para 2028, a expectativa segue em 3,50%, ambas sem alterações há dez semanas consecutivas.
A meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional para 2025 é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, permitindo variação entre 1,5% e 4,5%. Dentro desse limite, o índice registrado em 2025 terminou em 4,26%, permanecendo dentro do objetivo definido pelo governo.
Dados do IBGE mostram que a inflação de dezembro avançou 0,33%, acima da taxa de 0,18% registrada em novembro. Entre os setores que mais pressionaram os preços no período estão os transportes, que tiveram alta de 0,74% e impacto de 0,15 ponto percentual, e saúde e cuidados pessoais, com aumento de 0,52%.
As demais projeções divulgadas pelo Boletim Focus permaneceram inalteradas. Para o Produto Interno Bruto (PIB), a expectativa de crescimento da economia brasileira em 2026 segue em 1,80%, porcentagem que também é mantida para o próximo ano. Para 2028, o mercado prevê avanço de 2% no PIB.
O câmbio também não apresentou mudanças. As estimativas apontam dólar a R$ 5,50 ao fim de 2026 e 2027, posição que o mercado mantém há 13 semanas. Para 2028, a projeção é de que a moeda norte-americana encerre o ano cotada a R$ 5,52.
Já em relação à taxa Selic, o mercado prevê queda gradual da taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano. A expectativa é de redução para 12,25% em 2026, 10,50% em 2027 e 9,88% em 2028, após um período prolongado de elevação para controle inflacionário.
A manutenção da Selic em patamares elevados tem objetivo de desacelerar a economia e reduzir a pressão sobre os preços, já que juros altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Esse movimento, no entanto, também pode impactar o ritmo de crescimento econômico.
Quando há queda da taxa básica, o crédito tende a ficar mais acessível, favorecendo consumo e investimentos, o que estimula a atividade econômica. Instituições financeiras ponderam ainda fatores como risco de inadimplência, custos operacionais e margens de lucro ao definir juros para clientes.
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