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Déficit do Governo Central dispara mais de 160 % e alcança R$ 14,5 bilhões em setembro

O desempenho é resultado do superávit de R$ 185,9 bilhões obtido pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central - Reprodução/Pixabay
Em setembro de 2024, o déficit havia sido de R$ 5,2 bilhões, o que representa uma elevação real de 166,6%, considerando a inflação medida pelo IPCA  |   BNews RN - Divulgação O desempenho é resultado do superávit de R$ 185,9 bilhões obtido pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central - Reprodução/Pixabay
José Nilton Jr.

por José Nilton Jr.

Publicado em 30/10/2025, às 15h57



O incremento nas perdas superou o aumento das receitas, levando a um agravamento do déficit primário registrado em setembro deste ano. No mês anterior, o Governo Central, composto pelo Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, registrou um resultado negativo de R$ 14,5 bilhões.

Em setembro do ano passado, o déficit havia sido de R$ 5,2 bilhões, o que representa uma elevação real de 166,6%, considerando a inflação medida pelo IPCA, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Tesouro Nacional.

“Em comparação a setembro de 2024, o resultado primário mostrado foi consequência de um aumento real de 0,6% (R$ 1,1 bilhão) na receita líquida, após as transferências para estados e municípios, e um crescimento de 5,7% (R$ 10,2 bilhões) nas despesas totais”, informou o órgão.

O resultado ficou muito acima das projeções do mercado financeiro. Segundo o boletim Prisma Fiscal, elaborado pelo Ministério da Fazenda, as instituições esperavam um déficit de R$ 6 bilhões, menos da metade do saldo negativo efetivamente registrado.

Governo acumula R$ 100,4 bilhões de déficit no ano

De janeiro a setembro, o Governo Central acumula déficit primário de R$ 100,4 bilhões, 9,1% menor que o registrado no mesmo período do ano anterior, já descontada a inflação. O valor, contudo, mantém o país distante da meta de equilíbrio fiscal definida para 2025.

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O desempenho é resultado do superávit de R$ 185,9 bilhões obtido pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central, compensado parcialmente pelo rombo de R$ 286,3 bilhões na Previdência Social, que continua sendo o principal fator de desequilíbrio nas contas públicas.

O resultado primário é calculado pela diferença entre receitas e despesas, desconsiderando os pagamentos de juros da dívida pública. 

Despesas disparam e pressionam o resultado fiscal

O relatório do Tesouro Nacional mostra que, em setembro, as receitas líquidas cresceram 5,8% em termos nominais e 0,6% em termos reais. Esse leve avanço se deve, em grande parte, ao aumento de 11,9% (R$ 6,2 bilhões) na arrecadação líquida destinada à Previdência Social. 

Por outro lado, as despesas totais subiram 11,2% em valores nominais e 5,7% em termos reais. O maior aumento foi observado nas despesas discricionárias, aquelas que o governo pode decidir executar, que cresceram expressivos 100,9% (R$ 10,6 bilhões), puxadas pelos gastos em ações de saúde (R$ 4,1 bilhões) e outras despesas (R$ 2,9 bilhões).

Contexto fiscal segue desafiador

Mesmo com a leve melhora no acumulado anual, o resultado fiscal de setembro acende um alerta para o ritmo das despesas e para o cumprimento da meta de déficit zero estabelecida pelo governo.

O Tesouro Nacional deve divulgar, nas próximas semanas, novas projeções de arrecadação e despesa, além de atualizar os parâmetros do resultado primário para o último trimestre do ano.

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