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O crédito no Rio Grande do Norte chegou a R$ 72,2 bilhões em junho de 2026, com alta de 10,8% em 12 meses, ritmo superior ao registrado no Brasil, de 9,7%. Apesar do avanço, o estado ficou abaixo da média do Nordeste, que alcançou 11,5%. Do total potiguar, R$ 53,4 bilhões estavam concentrados nas pessoas físicas, enquanto R$ 18,8 bilhões correspondiam às empresas.
O levantamento foi realizado pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos (Etene), do Banco do Nordeste (BNB), com base em informações do Sistema de Informações de Crédito do Banco Central. A expansão de 10,8% colocou o RN na sexta posição entre os estados nordestinos em crescimento da carteira.
A predominância das famílias representa 73,9% de todo o crédito concedido no estado. Na prática, a cada R$ 100 emprestados no RN, cerca de R$ 74 estão vinculados a pessoas físicas e R$ 26 a empresas.
Entre as modalidades utilizadas pelas famílias, o crédito consignado somou R$ 13,02 bilhões em junho, enquanto o crédito pessoal alcançou R$ 10,39 bilhões. O financiamento habitacional também aparece entre os fatores relacionados ao elevado volume de recursos direcionados às pessoas físicas.
Segundo Robespierre do Ó, parte desse movimento pode estar relacionada ao crescimento do mercado imobiliário. A compra de um imóvel envolve despesas que nem sempre são totalmente cobertas pelo financiamento habitacional, como entrada, registros e outros custos da operação.
Com isso, algumas famílias podem recorrer a outras modalidades de empréstimo para complementar os recursos necessários à aquisição. O cenário ajuda a explicar a presença expressiva do crédito pessoal e consignado na carteira destinada às pessoas físicas.
Entre as pessoas jurídicas, o setor de serviços concentra a maior fatia dos recursos. Dos R$ 18,8 bilhões destinados às empresas, R$ 10 bilhões estavam vinculados ao segmento, o equivalente a 53,3% da carteira empresarial.
A indústria aparece logo depois, com R$ 8,5 bilhões, correspondentes a 45,3% do total. Já a agropecuária registrou R$ 274,5 milhões, participação equivalente a 1,5% da carteira de pessoas jurídicas.
Para Allisson David de Oliveira Martins, gerente do Etene/BNB, o aumento do crédito empresarial acompanha o movimento observado em outros estados nordestinos e pode estar relacionado às decisões de investimento das companhias. Empresas que pretendem ampliar, modernizar instalações ou diversificar produtos podem recorrer ao financiamento para viabilizar os projetos.
Na avaliação da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), a indústria potiguar também é influenciada pelo ciclo de investimentos em infraestrutura energética e construção. O presidente da entidade, Roberto Serquiz, destaca a continuidade dos projetos de energia renovável e o crescimento do mercado imobiliário de Natal.
O dirigente também aponta a participação dos bancos públicos, que oferecem linhas destinadas à indústria e à infraestrutura. A concentração do crédito industrial em atividades ligadas à eletricidade e ao gás é considerada compatível com o ciclo de investimentos no setor energético.
Projetos de geração de energia costumam exigir elevados volumes de capital e financiamentos de prazo mais longo. A expansão desses empreendimentos, portanto, pode ter impacto direto sobre a demanda por crédito empresarial no estado.
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A agropecuária teve a menor participação entre os setores empresariais, com R$ 274,5 milhões e 1,5% da carteira de pessoas jurídicas. A Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern), porém, alerta que esse percentual não representa todo o crédito destinado à produção rural.
Isso ocorre porque parte dos produtores rurais realiza operações como pessoa física. Nesses casos, os recursos aparecem nas estatísticas destinadas às famílias, e não na carteira de pessoas jurídicas.
A entidade também destaca que o estado possui menos empresas agropecuárias formalmente constituídas do que negócios dos setores de comércio, serviços e indústria. Por isso, a participação do campo tende a ser menor quando a análise considera exclusivamente as pessoas jurídicas.
Os números de junho revelam uma carteira de crédito dividida em dois grandes eixos. Entre as famílias, o financiamento habitacional, o consignado e o crédito pessoal concentram a maior parte dos recursos. Entre as empresas, serviços e indústria respondem por praticamente todo o saldo.
Com crescimento de 10,8% em 12 meses, o RN terminou o primeiro semestre de 2026 com avanço superior ao registrado no país. O estado, contudo, ficou 0,7 ponto percentual abaixo do desempenho médio do Nordeste, que teve expansão de 11,5%.
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