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Café brasileiro perde competitividade mesmo com produção recorde; saiba o que está pressionando o valor do grão

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A liquidez no mercado de café robusto está lenta, com produtores focando em vendas para cumprir compromissos de curto prazo  |   BNews RN - Divulgação Procampo
Elí Bernardo

por Elí Bernardo

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Publicado em 07/04/2026, às 18h08



O café brasileiro, que sai das lavouras e vai para as prateleiras de cooperativas, ou é fornecido diretamente por produtores e nas rede de atacado do grão está com recuo de competitividade no mercado nacional, apesar alta na produção.

Uma análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), apontou nesta terça-feira (07), que os preços do produto no atacado brasileiro estão sendo pressionados pela proximidade do início de uma colheita que promete ser recorde no Brasil.

Essa proximidade da colheita do café já vem influenciando os preços do grão, mesmo que as atividades só se intensifiquem a partir de meados de maio”, confirmou o centro de estudos da Esalq/USP.

A safra de café deve ter recorde no Brasil. A estimativa é superior a 75 milhões de sacas de 60 kg e deve colaborar com uma recuperação de estoques globais, resultando em um superávit de 10 milhões de sacas em 2026, segundo previsões da consultoria StoneX.

Pressão do Mercado Internacional

Dentre as espécies, o café canéfora (conilon e robusta), que já tem algumas lavouras sendo colhidas em abril no país, registrou uma pressão “mais significativa às cotações no mercado interno”, afirmou o Cepea.

O Cepea/Esalq com indicador para grãos tipo 6, peneira 13 acima, a retirar no Espírito Santo, já recuou 4,54% em apenas três dias úteis de abril, fechando a R$ 921,86/saca de 60 kg na segunda-feira (06).

O café dos grãos canéforas tipo 7/8 têm recebido várias ofertas abaixo desse patamar de R$900/saca.

Nesse cenário, a liquidez no mercado robusto está bastante lenta há algumas semanas, com produtores vendendo café apenas para liquidar compromissos de curto prazo e realizar alguns planejamentos para a colheita", afirmou o Cepea.

Os últimos anos foram de "boa produção e de preços elevados", é por isso, os produtores da variedade têm, de forma geral, conseguido manter boas condições de caixa e investimento, reduzindo a necessidade de vendas.

Segundo o Cepea, as cotações do café arábica, variedade que responde pela maior parte da produção brasileira, vêm recuando praticamente todos os dias desde 25 de março, com exceção de segunda-feira, quando foi verificada uma "reação pontual" no mercado interno.

"Vale ressaltar que algumas lavouras mais precoces de arábica já podem ter grãos maduros para serem colhidos no começo de maio, especialmente nas áreas irrigadas em São Paulo", confirmou o Cepea.

Desde 25 de março, quando os valores começaram a recuar, até o dia 6 de abril, a queda acumulada foi de mais de R$ 90 por saca, para R$ 1.885,21/saca, para grãos arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista.

Já bolsa de Nova York, nesta terça-feira, o café arábica operava em baixa de 4%, para US$ 2,86/libra-peso.

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