Durante a COP30, em Belém (PA), enquanto líderes globais debatiam o futuro do planeta, uma planta típica da Amazônia virou protagonista inesperada.
O jambu, presença garantida nas cuias de tacacá, conquistou não só o paladar dos visitantes, mas também a atenção da comunidade científica por seus efeitos surpreendentes, que vão da saúde ao prazer.
Da feira ao laboratório
O tradicional formigamento sentido na boca após saborear o tacacá deixou de ser apenas uma curiosidade gastronômica.
O fenômeno é causado pelo espilantol, composto natural do jambu que provoca leves contrações musculares e estimula a circulação sanguínea. É justamente essa combinação que vem despertando o interesse de pesquisadores e empresas de cosméticos naturais.
Estudos recentes identificaram que o espilantol possui propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e anestésicas suaves. Além disso, há indícios de que ele possa aumentar a sensibilidade corporal e o desempenho sexual, unindo a sabedoria tradicional amazônica à inovação científica.
O olhar da medicina
A ginecologista e pesquisadora Érika Mendonça das Neves, doutora pela Universidade de São Paulo (USP) e formada pela Universidade Federal do Pará (UFPA), afirmou em entrevista ao UOL que o jambu vem ganhando espaço nas pesquisas médicas.
“O espilantol tem ação local e pode atuar como estimulante sensorial. Por aumentar o fluxo de sangue, provoca sensações semelhantes às percebidas na boca, mas adaptadas de forma segura para outras regiões do corpo”, explicou.
Apesar dos avanços, a médica alerta que o uso da planta deve ser acompanhado de testes clínicos e moderação. “Ainda é preciso observar reações individuais e possíveis sensibilidades, mas o potencial do jambu é real - tanto para a saúde quanto para o bem-estar sexual”, reforça.
Tradição que resiste
Enquanto a ciência investiga, o jambu continua sendo símbolo de identidade paraense e orgulho popular. Nas barracas da feira do Ver-o-Peso, o aroma do tacacá segue atraindo moradores e turistas, que saboreiam entre risos o tremor divertido causado pela planta.
O que antes era apenas tempero regional agora inspira estudos, desperta sentidos e coloca a Amazônia no centro de uma conversa que mistura tradição, prazer e descoberta científica.