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STF forma maioria para barrar atuação de enfermeiros em casos de aborto legal

STF forma maioria para barrar atuação de enfermeiros em casos de aborto legal
Ministros do STF derrubam autorização para enfermeiros em abortos legais, incluindo casos de estupro e risco à saúde  |   BNews RN - Divulgação Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

Publicado em 18/10/2025, às 15h41   Leonardo Silva



O Supremo Tribunal Federal (STF), formou maioria nesta sexta-feira (17), e derrubou autorização para que enfermeiros e técnicos em enfermagem pudessem auxiliar na realização de abortos que estão previstos em lei, como casos de estupro, risco à saúde da gestante e de fetos anencéfalos.

A votação ocorre no plenário virtual, e os ministros da suprema corte têm até a próxima sexta-feira (24) para registrar os votos.

Votos divergentes

O ministro Gilmar Mendes abriu divergência e foi acompanhado por Dias Toffoli, Cristiano Zanin, André Mendonça, Flávio Dino, Nunes Marques e Alexandre de Moraes.

Mendes afirmou que “não há nenhum fato novo que justifique a atuação monocrática” do relator e afirmou que “o deferimento de medida cautelar pressupõe a presença concomitante dos requisitos legais, sendo certo que a ausência de quaisquer deles obsta a concessão de provimento cautelar”.

A decisão suspende os efeitos da liminar que havia autorizado a participação desses profissionais em procedimentos realizados por medicamentos, sem responsabilização criminal.

Voto de Barroso

Ao justificar a concessão da liminar, o ministro Luís Roberto Barroso argumentou que limitar o procedimento apenas aos médicos contribui para o “vazio assistencial” e para a violação de direitos fundamentais de meninas e mulheres vítimas de violência sexual.

STF forma maioria para barrar atuação de enfermeiros em casos de aborto legal
Foto: Ingrid Anne/Prefeitura de Manaus

De acordo com o ministro, a atuação deve ser compatível com o nível de formação profissional em relação a casos de aborto medicamentoso na fase inicial da gestação.

“No presente caso, não era possível ao legislador da década de 1940 antever que a tecnologia evoluiria a ponto de a interrupção da gravidez poder ser realizada de maneira segura por profissionais que não são médicos. Não se pode permitir, todavia, que o anacronismo da legislação penal impeça o resguardo de direitos fundamentais consagrados pela Constituição”, justificou Barroso.

Último voto de Barroso no STF

O ministro Luís Roberto Barroso, que a partir deste sábado (18) deixará a Corte após anunciar aposentadoria antecipada do cargo, também votou pela descriminalização do aborto no Brasil.

Durante os últimos dois anos, Barroso presidiu o STF, cargo que deixou em 28 de setembro deste ano. O ministro Edson Fachin assumiu o posto e estará à frente da Suprema Corte no biênio 2025-2027, tendo com vice-presidente Alexandre de Moraes.

A saída do ministro marca o fim de uma trajetória de 12 anos na Corte Suprema com protagonismo em temas sensíveis, como letalidade policial, licença paternidade e descriminalização do aborto.

A decisão pela aposentadoria foi anunciada em sessão plenária do STF em 9 de outubro.

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