Geral

Seridó explode no ranking cultural e domina lista dos municípios com mais trabalhadores da área no RN

Reprodução/Freepik
Sete dos dez municípios com maior percentual de trabalhadores na cultura estão no Seridó, segundo dados do IBGE  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/Freepik
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

[email protected]

Publicado em 12/12/2025, às 13h09



O Seridó concentrou sete dos dez municípios com maior percentual de pessoas ocupadas no setor cultural no Rio Grande do Norte, revela o Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC) 2013 a 2024, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento confirma a força regional em atividades como têxteis, cerâmica e música, a partir de dados do Censo Demográfico de 2022. O estudo reúne informações sobre empresas, mercado de trabalho e outros indicadores culturais em todo o país.

Entre os dez municípios com maior participação de trabalhadores na cultura, São José do Seridó aparece no topo, com 22 por cento dos moradores de 14 anos ou mais empregados no setor, seguido por Acari e Jardim de Piranhas. A microrregião Serra de São Miguel também integra o ranking com Cel. João Pessoa, Doutor Severiano e São Miguel.

Força produtiva se confirma na prática

Os setores com maior presença na atividade cultural dos municípios seridoenses incluem alfaiataria, modistas, chapeleiros e peleteiros, que lideram em seis das sete cidades da lista regional, configurando um polo têxtil e de vestuário.

Em paralelo, a cerâmica se destaca como o segundo principal segmento em localidades como Acari, Carnaúba dos Dantas, Cruzeta e Parelhas, reforçando a tradição artesanal do território.

Outras atividades, como música, marcenaria, costura, bordado, artesanato em tecido e couro, além de design de interiores, ajudam a compor o perfil da economia criativa do Seridó.

Na avaliação do Chefe de Disseminação de Informações do IBGE, Damião Ernane de Souza, a concentração de municípios da região entre as primeiras posições demonstra a existência de um ecossistema cultural integrado que impulsiona emprego, renda e identidade territorial.

Investimentos públicos crescem em 2023

Os gastos do governo do Rio Grande do Norte com cultura chegaram a 79,7 milhões de reais em 2023, o equivalente a 0,36 por cento do Orçamento Geral do Estado (OGE).

O valor mais que dobrou em relação a 2022, quando foram aplicados 39,5 milhões de reais, ou 0,21 por cento do então OGE. Nos municípios potiguares, as despesas culturais também aumentaram, alcançando 245,6 milhões de reais, crescimento de 57,3 por cento em comparação ao ano anterior.

Para incentivo direto à cultura, sete projetos receberam recursos por meio de leis de fomento em 2023, totalizando mais de 2,5 milhões de reais, com média de 363,4 mil reais por iniciativa. Apesar disso, o valor global ficou abaixo dos 3,3 milhões de reais captados em 2022, distribuídos entre cinco propostas.

Natal concentra empresas e trabalhadores da cultura

Na esfera empresarial e institucional, Natal concentra 51 por cento das unidades culturais do Rio Grande do Norte e 60 por cento de todos os trabalhadores do setor. Em 2022, a capital registrava 3.042 unidades culturais e 12.400 trabalhadores, dos quais 8.437 eram assalariados, movimentando 261,2 milhões de reais em remunerações.

Em nível estadual, foram contabilizadas 5.961 unidades culturais, que empregaram 20.590 trabalhadores, incluindo 13.305 assalariados, com total de 354,3 milhões de reais movimentados em salários e congêneres.

Mossoró, com 5,1 por cento das organizações, e Parnamirim, com 4,5 por cento, apareceram como destaques entre os municípios com mais de 150 mil habitantes.

Domínios culturais e distribuição das atividades

O SIIC 2013 a 2024 identificou predominância das Atividades Culturais Centrais, que somaram 3.808 unidades e 12.688 trabalhadores no estado, responsáveis por 180,4 milhões de reais em remunerações.

No conjunto, o domínio de Design e serviços criativos liderou em volume de unidades, com 1.219 estabelecimentos, enquanto Mídias audiovisuais e interativas registrou o maior número de trabalhadores, com 4.357 profissionais e massa salarial de 93,5 milhões de reais.

Segmentos como Livro e imprensa, com 2.230 empregados, e Artes visuais e artesanato, com 967 trabalhadores, também tiveram participação relevante. Já Patrimônio natural e cultural apresentou atividade reduzida, com 25 unidades.

Natal mantém liderança também nos domínios específicos

Na capital, as Atividades Culturais Centrais reuniram 1.973 unidades e 7.744 trabalhadores, sendo 5.056 assalariados, que receberam 126,2 milhões de reais em remunerações.

Mídias audiovisuais e interativas respondeu pelo maior número de profissionais na cidade, com 2.625 trabalhadores, enquanto Livro e imprensa registrou 1.399 postos. O domínio de Design e serviços criativos contabilizou 740 unidades e 1.871 profissionais, complementando o panorama da indústria criativa natalense.

Nas Atividades Culturais Periféricas, os Equipamentos e materiais de apoio responderam integralmente pelo segmento em Natal, somando 1.069 unidades e 4.656 trabalhadores, com massa salarial de 135 milhões de reais, patamar comparável ao das atividades centrais.

Rendimento e sobre o SIIC

A renda média dos trabalhadores do setor cultural foi de 2.443 reais no Rio Grande do Norte em 2024 e 3.553 reais em Natal, valores ligeiramente abaixo da média dos demais setores econômicos, que ficaram em 2.542 reais no estado e 3.850 reais na capital.

A sétima edição do Sistema de Informações e Indicadores Culturais apresenta dados consolidados de pesquisas do IBGE e de estatísticas econômicas da administração pública e do comércio exterior.

O objetivo é fortalecer a base de estudos sobre o setor cultural, oferecendo subsídios para decisões governamentais e análises especializadas.

Os resultados completos estão disponíveis na página oficial do Sistema no portal do IBGE.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Whatsapp floating

Receba as notificações pelo Whatsapp

Quero me cadastrar Close whatsapp floating