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Risco de contaminação e tomógrafos quebrados escancaram crise na saúde pública do RN

Cenário é de precariedade no maior hospital público do RN - Imagem criada pela Meta IA
Hospital Walfredo Gurgel tem convivido com equipamentos danificados e risco de contaminação biológica, que pode causar infecção hospitalar e morte  |   BNews RN - Divulgação Cenário é de precariedade no maior hospital público do RN - Imagem criada pela Meta IA
BNews Natal

por BNews Natal

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Publicado em 15/11/2025, às 22h00



A saúde pública do Rio Grande do Norte enfrenta uma situação de crise contínua e persistente em 2025, marcada por diversos problemas estruturais e operacionais. O exemplo mais grave da agonia está no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, maior unidade de saúde do Estado.

O risco de contaminação biológica, aliada à terceira quebra em menos de três meses dos tomógrafos, são exemplos do descaso para com a população e só escancaram ainda mais o drama. É um sofrimento sem fim. 

Nesta semana, o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde/RN) recebeu uma nova denúncia sobre as condições insalubres encontradas no HWG. O caso em questão aponta para riscos de contaminação biológica e reforça o cenário de precariedade.

 Trabalhadores dizem que são obrigados a descartar materiais contaminados em recipientes inadequados
Trabalhadores dizem que são obrigados a descartar materiais contaminados em recipientes inadequados

É importante lembrar que a contaminação biológica pode causar infecções hospitalares, uma das principais causas de morte em hospitais. Tudo evitável com medidas simples, como higienização correta e uso correto de equipamentos.

Máquinas antigas e quebradas

O Hospital Walfredo Gurgel sofre frequentemente com superlotação e falta de medicamentos e de materiais básicos (como esparadrapo, gases e luvas). Agora, conviver com equipamentos danificados ou inoperantes parece ter se tornado rotina, algo corriqueiro, comum.

O hospital possui dois tomógrafos antigos. Um tem 10 e outro 15 anos de uso. Ambos estão parados. Funcionaram pela última vez no sábado passado, dia 8. Desde então, os pacientes precisam recorrer a exames em outras unidades de saúde. 

Tomografia particular pode custar até R$ 2.500 

O tomógrafo é considerado a evolução do raio-X. Trata-se de um equipamento capaz de produz centenas de radiografias ou chapas em um único exame. É assim que aumenta a precisão do diagnóstico. Quando estão funcionando, os dois aparelhos do Walfredo Gurgel chegam a realizar mais de 4 mil exames por mês. 

Para quem tem urgência no diagnóstico e não resta alternativa nem o privilégio de usufruir de um plano de saúde, o jeito é correr para uma clínica particular e coçar o bolso. E não é barato.

O valor a se pagar por uma tomografia varia bastante. Geralmente custa a partir de R$ 200 a R$ 500 para exames mais simples. Dependendo da região do corpo e do local onde será realizado o exame, o preço sobe um bocado. Para o abdômen ou coluna, por exemplo, a tomografia completa pode chegar a R$ 2.500.

O que diz o governo

O BNews Natal procurou o governo estadual. A Secretaria da Saúde Pública (Sesap) confirmou que os tomógrafos continuam quebrados, e que "o fluxo de atendimento segue nos demais hospitais". Mas, há previsão de conserto para as máquinas? A resposta da SESAP foi a seguinte:

Aguardando a chegada da peça por parte da empresa responsável pela manutenção do aparelho".

Relatório aponta falhas  

As recorrentes interrupções dos exames levaram uma comissão parlamentar formada por deputados estaduais a fazer uma uma visita de inspeção ao Hospital Walfredo Gurgel, mais precisamente ao setor de tomografia. A missão foi ver de perto o tamanho e avaliar a gravidade do problema. No início de novembro, o BNews Natal publicou com exclusividade o resultado da visita, por meio de um relatório. Confira AQUI matéria especial e a íntegra do documento.

Penúltima posição em ranking nacional

O subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a defasagem nos valores pagos por procedimentos médicos são apontados como causas centrais da crise na saúde do Estado. O Rio Grande do Norte, inclusive, ocupou a penúltima posição em ranking nacional de gastos próprios com saúde em 2025.

Somente no primeiro semestre, houve uma queda de 68% nas despesas pagas com a saúde pública pelo Governo do Rio Grande do Norte. A redução foi de R$ 314,7 milhões, ou seja, foram gastos R$ 673,3 milhões nos primeiros seis meses deste ano contra R$ 988,1 milhões pagos no primeiro semestre de 2024. 

Os números vieram à tona por meio de uma decisão judicial recente, da magistrada Maria Cristina Menezes de Paiva Viana, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Natal, que destacou um "cenário de colapso progressivo na saúde", agravado por um déficit de R$ 141 milhões nos repasses da Fazenda para o Fundo Estadual de Saúde, colocando o RN na penúltima posição nacional em gastos próprios com a saúde.

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Classificação Indicativa: Livre

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