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por José Nilton Jr.
Publicado em 04/11/2025, às 13h27
Após a determinação do presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), o presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), o potiguar Abraão Lincoln Ferreira, foi preso em flagrante por falso testemunho na madrugada desta terça-feira (4). Entretanto, poucas horas depois, ele pagou fiança e foi liberado.
A ordem de prisão foi anunciada ao final da sessão que começou ainda na segunda-feira (3). De acordo com o senador, a medida foi tomada com base no inciso II do artigo 4º da Lei nº 1.579/52. A lei em questão autoriza a detenção de testemunhas que mentirem perante comissões parlamentares de inquérito.
Segundo Carlos Viana, Abraão Lincoln teria mentido ao afirmar que não conhecia Gabriel Negreiros, tesoureiro da CBPA e padrinho de um de seus netos. Durante a sessão, o parlamentar exibiu uma foto registrada no batizado da criança, além de mencionar que o sindicalista teria transferido R$ 5 milhões para a conta de Negreiros.
O deputado federal Duarte Jr. (PSB-MA) também rebateu a justificativa do depoente. “Ele ser padrinho do seu neto é relação institucional?”, questionou o parlamentar, após Abraão Lincoln dizer que o envio dos valores se tratava apenas de uma transação ligada à entidade.
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Após ser confrontado por diversas vezes, o presidente da CBPA mudou a versão e alegou confusão ao responder ao relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL).
“Peço desculpas, pois, na minha falta de conhecimento, não mencionei, mas ele é meu compadre. Estou pedindo desculpas porque pensei que fosse sobre um filho, algum tipo de parentesco assim”, afirmou.
A justificativa, no entanto, não convenceu os membros da comissão. Já no encerramento da sessão, o relator afirmou que Abraão Lincoln teria mentido em pelo menos outras quatro ocasiões, incluindo ao declarar que não conhecia Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
O depoimento faz parte de uma investigação que acontece no âmbito da Operação Sem Desconto, executada pela Polícia Federal para apurar a cobrança indevida de mensalidades e descontos sobre benefícios previdenciários de segurados do INSS, esquema que pode ter desviado mais de R$ 220 milhões em todo o Brasil.
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