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O auditor fiscal de carreira e ex-secretário do Governo do Rio Grande do Norte, Pedro Lopes, acaba de assumir uma das posições mais estratégicas do fisco brasileiro: a vice-presidência da Fenafisco — Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital, entidade que representa mais de 20 mil profissionais da administração tributária em 23 estados e no Distrito Federal.
A chegada de um potiguar à alta cúpula do fisco nacional ocorre em um momento decisivo para o país, marcado pela regulamentação da Reforma Tributária e pela construção da Lei Orgânica Nacional da Administração Tributária — tema central do Conafisco 2025, que acontece esta semana em Natal.
Com experiência sindical de 15 anos no fisco estadual e trajetória marcada por protagonismo técnico e político, Pedro Lopes retorna à Fenafisco após deixar a Secretaria de Administração do RN, posição que ocupou por quase oito anos no governo Fátima Bezerra. Em entrevista exclusiva ao BNews Natal, ele detalha os bastidores da escolha, a relevância estratégica da nova função e os desafios que considera prioritários para o futuro da administração tributária no país.
ENTREVISTA – PEDRO LOPES
O que representa, pessoalmente e profissionalmente, assumir a vice-presidência da Fenafisco?
Pedro: Assumir a vice-presidência da Fenafisco é uma grande satisfação profissional. Após 15 anos de atuação sindical, de 2003 a 2018, e tendo sido diretor parlamentar da entidade por dois anos, voltar ao fisco nacional é um retorno às minhas origens e à continuidade de um trabalho iniciado lá atrás.
Como recebeu o convite e qual foi o sentimento inicial?
Pedro: Recebi o convite em junho, com surpresa, feito pelo presidente da Fenafisco, Francelino Valença. Aceitei em agosto e, em setembro, meu nome foi aprovado pelos dirigentes dos sindicatos filiados. Havia uma pré-disputa interna e, quando meu nome foi apresentado, todas as candidaturas foram retiradas sem questionamentos. Isso me trouxe orgulho e entusiasmo.
Qual a importância de um potiguar ocupar uma posição de comando em uma entidade nacional?
Pedro: O RN tem tradição de boa articulação política e é referência nessa atuação. Em 2017 e 2018, quando ocupei a diretoria parlamentar da Fenafisco, contribuí no lançamento no Congresso Nacional do projeto Reforma Tributária Solidária.
Que contribuições do RN podem fortalecer o fisco no plano nacional?
Pedro: O estado acumulou experiências relevantes e inovadoras no campo tributário e na articulação institucional que podem inspirar modelos e estratégias para todo o país.
Quais serão os principais pontos da pauta da Fenafisco nos próximos meses?
Pedro: O foco será a regulamentação da Lei Orgânica Nacional da Administração Tributária, assegurando autonomia e condições de trabalho estruturadas.
Como será o diálogo com o Congresso e o governo federal na regulamentação da reforma tributária? Há risco de perda de autonomia dos fiscos estaduais?
Pedro: A articulação com parlamentares é uma das funções centrais da Federação. Não vejo risco de retrocesso, pois a autonomia foi incluída no texto da Reforma Tributária graças à defesa das entidades do fisco nacional. Ainda assim, será preciso atuar fortemente para garantir a melhor regulamentação possível.
Quais os maiores desafios das administrações tributárias hoje?
Pedro: A crescente influência de lideranças políticas que estimulam o descrédito das instituições e da cobrança de impostos. É preciso reafirmar à sociedade que arrecadar é dever do Estado e obrigação cidadã.
Como tecnologia e digitalização podem aumentar arrecadação sem elevar impostos?
Pedro: O fisco brasileiro é referência mundial por sua eficiência tecnológica. No RN, por exemplo, a utilização de sistemas eletrônicos permitiu fechar postos fiscais desde 2012, com mais de 90% da cobrança do ICMS Antecipado feita digitalmente. Tecnologia é fundamental para ampliar resultados.
Como fortalecer a imagem dos auditores fiscais?
Pedro: Com respeito aos limites legais, diálogo e orientação permanente ao contribuinte. A idoneidade é fundamental: corrupção e propina são traições à sociedade.
Como a Fenafisco pode contribuir para reduzir sonegação e injustiça tributária no país?
Pedro: É necessário assegurar que todos paguem os impostos devidos e reduzir isenções excessivas e benefícios fiscais desnecessários. Se reduzirmos a sonegação, podemos discutir a diminuição da carga individual.
Que legado deseja deixar ao final da gestão?
Pedro: A efetivação da autonomia da administração tributária e o fortalecimento da educação fiscal como política permanente.
Uma mensagem para os auditores do RN e do Brasil.
Pedro: Podem contar comigo no processo de valorização e fortalecimento da atividade fiscal e do serviço público brasileiro.
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