Geral
por José Nilton Jr.
Publicado em 30/08/2026, às 12h00
Quem nasce no Rio Grande do Norte pode ser chamado de norte-rio-grandense. Mas há outro nome muito mais conhecido e carregado de história: potiguar. A palavra está tão incorporada à identidade do estado que aparece em nomes de instituições, empresas, eventos, manifestações culturais e até no futebol. Mas você sabe de onde surgiu o termo?
A resposta está nos povos indígenas que habitavam a região antes e durante a chegada dos portugueses ao Brasil.
O termo potiguar, também encontrado na forma potiguara, tem origem indígena e era utilizado para identificar uma grande tribo de origem tupi que habitava principalmente a região litorânea onde hoje estão o Rio Grande do Norte e a Paraíba.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, o professor Antônio Ferreira explica que a palavra é tradicionalmente interpretada como "comedor de camarão". A explicação é associada à junção de elementos da língua indígena: "poti", relacionado a camarão, e "guar", associado à ideia de comedor ou aquele que come.
A relação com o crustáceo teria ligação com os hábitos alimentares dos indígenas que viviam na região. Como o camarão era um alimento bastante presente em sua alimentação, os portugueses passaram a utilizar o termo para se referir àquele povo.
Com o passar do tempo, a palavra deixou de identificar apenas o grupo indígena e passou a representar todos aqueles que nascem no território potiguar. É assim que um termo associado a um povo indígena e a um alimento encontrado em abundância no litoral acabou se transformando em uma das principais marcas da identidade do Rio Grande do Norte.
Os Potiguares formavam uma das grandes populações indígenas de origem tupi que ocupavam parte do litoral nordestino no século XVI. A presença desse povo na região ajuda a explicar por que a palavra sobreviveu ao longo dos séculos e continua sendo utilizada para identificar os habitantes do estado.
A história, porém, não ficou apenas no nome. Durante o processo de colonização e catequização, indígenas descendentes dos Potiguares foram submetidos ao batismo cristão e alguns passaram a utilizar o sobrenome Camarão, justamente em referência ao significado tradicionalmente atribuído ao nome de seu povo.
Entre os personagens mais conhecidos estão Felipe Camarão e Clara Camarão, nomes que permanecem presentes na memória e na paisagem urbana do Rio Grande do Norte. Ruas, avenidas e praças espalhadas pelo estado carregam os nomes dos dois, mantendo viva parte dessa história.
A relação entre o estado e o camarão não ficou apenas na origem do gentílico. Séculos depois, o crustáceo continua ocupando um espaço importante na culinária e na economia potiguar.
Quem visita o Rio Grande do Norte rapidamente percebe a presença do camarão nos cardápios. Em Natal e em outras regiões do estado, o ingrediente aparece em diferentes preparações, desde petiscos e porções até pratos em que o crustáceo é o protagonista.
A produção também faz parte da atividade econômica do estado. O Rio Grande do Norte possui diversas fazendas de criação de camarão, principalmente no interior, onde os crustáceos são cultivados em viveiros e outros sistemas de produção.
Hotéis e restaurantes estão entre os principais consumidores dessa produção.
A criação pode ocorrer em diferentes estruturas, como tanques de alvenaria, tanques circulares e viveiros de água doce, dependendo do sistema utilizado e das características da produção.
O Rio Grande do Norte se tornou um importante polo produtor, com fazendas espalhadas por diferentes regiões.
Além do camarão criado em viveiros, existe também o pescado capturado no mar. Pescadores utilizam redes de arrasto para a captura em águas rasas próximas ao litoral. Assim, a relação entre o potiguar e o camarão aparece de duas formas: na história do nome que identifica quem nasce no estado e na presença do crustáceo na alimentação, na pesca e na produção econômica.
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