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O gigante fantasma: hotel de luxo virou ruína à beira-mar e pode renascer após 40 anos

Reprodução/Site Click Petróleo e Gás
Após 40 anos de abandono, novas negociações podem dar uma nova chance ao Marlin Royal Flat, que aguarda por um futuro incerto  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/Site Click Petróleo e Gás
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 22/10/2025, às 12h40



Na orla de Maria Farinha, em Paulista, Região Metropolitana do Recife, ergue-se um dos maiores símbolos do abandono no litoral nordestino. O prédio inacabado, conhecido como “o gigante de Maria Farinha”, foi projetado para ser um luxuoso flat hotel com vista panorâmica para o mar, mas acabou se tornando um marco do esquecimento.

A obra foi iniciada pela construtora Souza Luna S.A., que faliu em 1985, deixando para trás o esqueleto de concreto que ainda hoje domina a paisagem.

O que seria um empreendimento turístico de alto padrão se transformou em um símbolo do fracasso imobiliário da época, exposto à maresia e ao tempo.

Desde então, a estrutura permanece ereta, silenciosa e corroída, sem jamais ter recebido um hóspede sequer.


O império da ferrugem e do improviso

Localizado na avenida Doutor Cláudio José Gueiros Leite, a apenas 200 metros do Veneza Water Park, o prédio impressiona pela grandiosidade, mas também pelo contraste entre o exterior imponente e o interior completamente degradado.

Paredes descascadas, tubulações enferrujadas e concreto desgastado denunciam quase 40 anos de abandono.

Nos fins de semana, parte do térreo é usada como campo improvisado de paintball. Jovens da região também frequentam o local, atraídos pela vista privilegiada. Durante uma visita do portal Marco Zero, três crianças (de nove, 13 e 14 anos) foram flagradas no último andar observando o pôr do sol.

“A gente gosta de vir pra cá porque a vista lá de cima é massa e é bem tranquilo. Não faz medo subir não”, contou a menina de 13 anos.

O prédio, apesar do perigo e da deterioração, virou ponto de encontro e curiosidade entre os moradores da região.


Negociações reacendem a esperança

O destino do Marlin Royal Flat Hotel pode estar prestes a mudar. Hoje, o imóvel pertence a um condomínio formado pelos antigos compradores dos flats. Após a falência da construtora, em 1995, o empreendimento ficou sem direção, acumulando anos de indefinição.

Em setembro deste ano, o advogado Osvaldo Bastos assumiu como síndico e iniciou tratativas para a venda da estrutura. Segundo ele, duas empresas - a Multitécnica e a ACSL - já apresentaram propostas formais.

“Não há dúvidas de que o prédio será vendido”, afirmou Bastos, embora o negócio ainda não esteja fechado.

A Prefeitura de Paulista confirmou que o imóvel não possui dívidas de IPTU, o que facilita a negociação. Assim, o “gigante fantasma” de Maria Farinha pode, enfim, ganhar uma nova chance - quase quatro décadas depois de ser engolido pelo abandono.

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