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Publicado em 14/04/2026, às 07h50 Malu Machado
Um estudo recente, baseado na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) e publicado na revista Cadernos de Saúde Pública, acende um alerta para as consequências físicas de longo prazo sofridas por vítimas de violência sexual.
De acordo com o levantamento, meninas e mulheres que passaram por esse tipo de trauma têm 74% mais chances de desenvolver problemas cardíacos, com destaque para maiores índices de infarto do miocárdio e arritmias.
O pesquisador Eduardo Paixão, do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Universidade Federal do Ceará (UFC), destaca que o impacto da violência muitas vezes é associado apenas ao sofrimento psíquico, mas o trauma "ecoa" em todo o organismo.
Quando a gente fala de violência, a gente tem algumas definições importantes e a literatura já vem mostrando essa associação muito forte, especialmente quando essa experiência é vivida nos primeiros anos da infância, adolescência, mas que a repercussão, às vezes, acontece ao longo da vida”, citou.
A pesquisa mostra que, embora não haja discrepâncias significativas em casos de angina ou insuficiência cardíaca, o sistema cardiovascular como um todo é severamente afetado.
A ciência explica que a conexão entre o trauma e o coração ocorre por uma combinação de fatores biológicos e comportamentais. O estresse crônico gerado pela violência atua diretamente no sistema imunológico e hormonal:
Além das respostas fisiológicas, o estudo aponta que pessoas que vivenciam episódios de violência têm maior propensão a desenvolver hábitos prejudiciais à saúde como mecanismo de enfrentamento.
Tabagismo, alcoolismo, sedentarismo e alimentação inadequada são comportamentos citados que elevam drasticamente o risco de doenças do coração.
A violência sexual é classificada pelo pesquisador como um grave problema de saúde pública no Brasil. Os dados da PNS são alarmantes: 8,61% das mulheres relataram ter sofrido ao menos um episódio de violência sexual ao longo da vida, um índice significativamente superior aos 2% registrados entre os homens.
A pesquisa reforça a necessidade de um olhar multidisciplinar no atendimento às vítimas, que considere o risco cardiovascular como parte do protocolo de cuidado a longo prazo.
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