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Publicado em 06/01/2026, às 16h24 Mayane Lins
Um golfinho foi encontrado morto na praia da Redinha Nova, em Extremoz, elevando para três o total de golfinhos mortos na região, após o encalhe de pelo menos 10 animais no último fim de semana.
Pesquisadores do Centro de Estudos e Monitoramento Ambiental (Cemam) indicam que os golfinhos podem pertencer ao mesmo grupo social, sugerindo um evento coletivo que pode estar relacionado a doenças ou condições adversas.
As necropsias revelaram problemas de saúde significativos nos golfinhos, e um levantamento do Cemam mostrou um aumento alarmante de mais de 86% nos encalhes de animais marinhos no litoral potiguar em comparação ao ano anterior, exigindo investigação urgente.
Mais um golfinho foi encontrado morto na manhã desta terça-feira (6), na praia da Redinha Nova, em Extremoz, no Litoral Norte do Rio Grande do Norte. O animal foi localizado no mesmo trecho onde, no último fim de semana, ocorreu o encalhe de ao menos 10 golfinhos da mesma espécie. Com esse novo registro, sobe para três o número de golfinhos mortos na região.
Equipes do Centro de Estudos e Monitoramento Ambiental (Cemam) estiveram no local e realizaram a remoção do corpo, que foi encaminhado para necropsia. De acordo com os pesquisadores, há uma grande possibilidade de que os três animais pertençam ao mesmo grupo, o que reforça a hipótese de um evento coletivo associado ao comportamento social da espécie.
O primeiro óbito foi confirmado ainda no domingo (4), após o encalhe de pelo menos 10 golfinhos. Na ocasião, moradores da região ajudaram a devolver a maioria dos animais ao mar. Quando as equipes técnicas chegaram ao local, um dos golfinhos ainda estava vivo, chegou a receber atendimento veterinário, mas não resistiu.
Já na tarde da segunda-feira (5), um segundo golfinho foi encontrado morto na praia de Graçandu, também em Extremoz, elevando para dois os registros até então. O novo achado desta terça-feira amplia a preocupação dos pesquisadores sobre a ocorrência de encalhes em sequência.
Em entrevista ao G1 RN, a bióloga Clara Melo explicou que o comportamento altamente social dos golfinhos pode ajudar a entender o ocorrido. “Eles vivem em grupo e possuem um vínculo muito forte. Por isso, quando um animal encalha, os outros tendem a segui-lo”, afirmou. Segundo ela, encalhes não acontecem por acaso e podem estar associados à presença de indivíduos doentes, o que indica que outros membros do grupo também podem estar debilitados.
Durante a necropsia do primeiro golfinho, um macho adulto, os pesquisadores identificaram alterações significativas nos sistemas auditivo e respiratório. Nas bulas timpânicas, estruturas fundamentais para a audição, navegação e localização de presas, foi encontrada uma secreção compatível com inflamação ou infecção. Além disso, foram identificadas infestações parasitárias em diferentes órgãos.
Um levantamento realizado pelo Cemam apontou um crescimento expressivo nos registros de encalhes no litoral do Rio Grande do Norte. Entre 1º de dezembro de 2025 e 5 de janeiro de 2026, foram contabilizados pelo menos 54 encalhes de animais marinhos, incluindo golfinhos, tartarugas e outras espécies.
No mesmo período do ano anterior, entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, foram registrados 29 casos. O aumento de 25 ocorrências representa um crescimento superior a 86%. Esses números acendem um alerta para pesquisadores e autoridades ambientais sobre a necessidade de monitoramento e investigação contínua das causas desses eventos.
Com informações do G1RN.
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