Gravidez, uso de anticoncepcionais e menopausa aumentam a vulnerabilidade feminina ao Acidente Vascular Cerebral (AVC), uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde.
A conscientização sobre os fatores de risco e a importância do atendimento rápido são essenciais para reduzir sequelas e salvar vidas.
De acordo com a American Heart Association, uma em cada cinco mulheres terá um AVC ao longo da vida. A data de 29 de outubro, Dia Mundial do AVC, reforça a necessidade de discutir prevenção, diagnóstico precoce e reabilitação.
O tema ganha destaque não apenas pela incidência, mas pelas particularidades biológicas que tornam as mulheres mais suscetíveis.
A médica cardiologista Poliana Requião explica que os riscos variam conforme a idade, mas tendem a crescer após a menopausa.
“Em idades mais jovens, doenças autoimunes e o uso de anticoncepcionais orais podem elevar o risco de tromboses e AVC isquêmico”, detalha a especialista.
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Sinais de alerta e prevenção
Os sintomas de um AVC exigem reação imediata. Boca torta, fala enrolada e fraqueza em um dos lados do corpo são sinais clássicos. A médica recomenda o método SAMU para identificar os casos e agir rápido:
S – sorriso (observe se um lado do rosto não se move);
A – abraço (veja se consegue levantar os dois braços igualmente);
M – música (perceba se a fala está arrastada ou confusa);
U – urgência (ligue imediatamente para o 192).
“O AVC é uma emergência médica. Cada minuto faz diferença. A expressão ‘tempo é vida, tempo é cérebro’ resume bem isso. O atendimento rápido aumenta as chances de recuperação e reduz o risco de sequelas graves”, reforça Poliana Requião.
Além da resposta imediata, hábitos saudáveis são a principal barreira contra a doença. Praticar atividades físicas, manter alimentação equilibrada, controlar o peso e doenças como hipertensão e diabetes são medidas preventivas eficazes. Evitar o cigarro e o álcool em excesso também é essencial.
“A prevenção ainda é o melhor tratamento”, afirma Requião.
Superação e reabilitação
A jornalista Vânia Marinho, de 63 anos, sabe o que é enfrentar o desafio de um AVC hemorrágico. Treze anos após o episódio, ela segue em reabilitação.
“Foi um golpe da vida e precisei ressignificá-lo. É um processo longo, doloroso, mas transformador. As terapias e o apoio da família foram fundamentais. Hoje sou grata por cada pequena conquista e faço questão de alertar outras mulheres”, relata.
A recuperação, segundo o professor e fisioterapeuta Ozair Argentille, docente da Estácio, exige paciência e suporte multidisciplinar.
“A fisioterapia é essencial porque estimula o cérebro a criar novas conexões. Nosso foco é devolver autonomia e qualidade de vida, restaurando a capacidade funcional do paciente”, explica.
O processo envolve treino motor, equilíbrio, marcha e prevenção de complicações como dor e contraturas.
“O paciente enfrenta limitações físicas, emocionais e cognitivas. Por isso, a integração entre fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos e médicos é o que torna a reabilitação mais humana e eficaz”, completa Argentille.