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O avanço da sensação de insegurança tem alterado os hábitos da população brasileira. Uma pesquisa revelou que 60% dos entrevistados deixaram de frequentar locais que gostariam de visitar por medo da violência, enquanto 30% afirmaram ter abandonado o uso do transporte público pelo mesmo motivo. O levantamento também aponta que as mulheres são as que mais percebem os riscos no dia a dia.
Os dados integram o estudo "Mulheres, polícia e facções — O que está no centro do debate sobre segurança pública?", encomendado pelo Instituto Update e pelo Instituto Fogo Cruzado. A pesquisa foi conduzida pelo Ideia Instituto de Pesquisa entre os dias 24 e 31 de março, por meio de entrevistas telefônicas realizadas em todas as regiões do país com 2 mil pessoas. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.
Entre os comportamentos que passaram a fazer parte da rotina dos brasileiros, 68% disseram evitar usar o celular em espaços públicos por receio de assaltos ou outros crimes. Além disso, 41% afirmaram não permitir mais que crianças e adolescentes saiam desacompanhados.
A percepção de que as mulheres enfrentam maior vulnerabilidade à violência é compartilhada por 92% dos entrevistados. Entre as principais ameaças apontadas estão assédio, violência doméstica e agressões físicas e psicológicas.
Além da etapa quantitativa, o estudo reuniu duas pesquisas qualitativas desenvolvidas pela Estratégia Latina. Os relatos mostram que muitas mulheres adotam uma série de estratégias para reduzir riscos, vivendo em constante estado de vigilância.
Segundo o documento, as entrevistadas afirmaram esconder celulares em compartimentos improvisados, compartilhar a localização em aplicativos, monitorar prestadores de serviço dentro de casa e manter redes de apoio com amigas e vizinhas para aumentar a sensação de segurança.
Os depoimentos também revelam que o medo afeta momentos de lazer e a criação dos filhos. Mulheres relataram preocupação constante com possíveis sequestros, especialmente nas cidades de Manaus e Fortaleza, o que influencia decisões sobre passeios e deslocamentos.
O transporte público foi apontado como um dos ambientes que mais geram insegurança. Ônibus, metrôs, trens, pontos de embarque e viagens por aplicativos aparecem entre os locais mais citados. Nesse cenário, 39% das mulheres disseram sentir medo ao utilizar o transporte coletivo, contra 26% dos homens.
Como consequência, muitas entrevistadas afirmaram restringir seus deslocamentos ao trajeto entre casa, trabalho, igreja e supermercado. Atividades como ir a shows, academias, bibliotecas, eventos culturais ou visitar familiares passaram a ser evitadas, principalmente em determinados horários.
O levantamento também investigou a percepção dos brasileiros sobre políticas de segurança pública. Para 42% dos participantes, penas mais severas são a principal medida para enfrentar a criminalidade.
Apesar desse posicionamento, apenas 41% disseram acreditar que a polícia protege efetivamente a população. Já 22% afirmaram perceber melhora na segurança em razão das operações policiais.
Quando questionados sobre medidas capazes de reduzir a violência, os entrevistados ficaram divididos. Enquanto 49% consideram que a prisão de criminosos tem papel decisivo ou relevante nesse processo, 45% apontam que investimentos em educação e políticas sociais também são fundamentais para diminuir os índices de criminalidade.
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