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Gol mexe com o cérebro: estudo revela como o futebol transforma emoções de torcedores

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O estudo em questão analisou o comportamento cerebral de 61 torcedores, com idades entre 20 e 45 anos. Os voluntários assistiram a 63 gols  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/iStock
José Nilton Jr.

por José Nilton Jr.

Publicado em 06/02/2026, às 14h21



Um estudo publicado na revista científica Radiology indica que o futebol provoca alterações reais nos mecanismos cerebrais dos torcedores, influenciando diretamente a forma como eles sentem, pensam e reagem durante uma partida.

A pesquisa foi executada por uma equipe liderada pelo biólogo chileno Francisco Zamorano, da Universidade San Sebastián, e analisou o comportamento cerebral de 61 torcedores, com idades entre 20 e 45 anos. Os voluntários assistiram a 63 gols, envolvendo lances marcados por seus próprios times, por rivais diretos e por equipes neutras, enquanto tinham a atividade cerebral monitorada.

O objetivo dos cientistas foi compreender como o cérebro diferencia essas situações e de que forma o envolvimento emocional com o clube interfere na resposta neural, revelando que torcer vai muito além de uma simples preferência esportiva.

Gol do time vira vitória pessoal no cérebro

Por meio de exames de ressonância magnética funcional, os pesquisadores identificaram que, quando o time do torcedor marca contra um rival histórico, há uma intensa ativação do estriado ventral, área ligada ao sistema de recompensa do cérebro.

Essa região em questão costuma responder a experiências prazerosas, como ganhos financeiros ou estímulos afetivos, o que indica que o gol é interpretado como uma conquista pessoal.

Outro ponto observado foi o aumento da atividade no córtex pré-frontal medial, responsável pela construção da identidade social e da autoimagem. Na prática, o cérebro passa a incorporar o sucesso do clube como parte do próprio “eu”, reforçando a sensação de pertencimento e identificação com o time.

Também houve maior ativação da área fusiforme das faces, relacionada ao reconhecimento visual e social, sugerindo que o cérebro intensifica o foco nas imagens do gol, nos jogadores e na celebração, ampliando a sensação de triunfo coletivo.

Quando o rival marca, a razão perde força

O cenário muda drasticamente quando o gol é do adversário. Nesses momentos, os exames apontaram redução da atividade no córtex cingulado anterior dorsal, região essencial para o controle emocional e a tomada de decisões racionais. Essa queda ajuda a explicar por que muitos torcedores se tornam mais impulsivos, irritados ou frustrados diante de um gol sofrido.

Ao mesmo tempo, foi registrada uma maior ativação do precuneus, área associada à autoconsciência e à memória. Isso faz com que o cérebro fique preso ao erro, ao gol sofrido e à sensação de derrota, mantendo esses sentimentos vivos mesmo após o fim da jogada ou da partida.

Essas reações indicam que o cérebro trata o fracasso do time quase como uma experiência pessoal negativa, reforçando o impacto emocional do esporte sobre quem torce de forma intensa.

Jogos neutros geram respostas mais frias

Quando os gols assistidos envolvem equipes neutras, sem ligação emocional com o torcedor, a resposta cerebral é bem diferente. Os lances são processados de forma mais analítica, com menor ativação das áreas ligadas à emoção e ao sistema de recompensa, sendo percebidos mais como informação do que como vivência afetiva.

Ainda assim, o estudo aponta que o futebol estimula fortemente uma lógica de “nós contra eles”, sobretudo entre torcedores altamente engajados. Esse sentimento de pertencimento a um grupo potencializa as reações emocionais e cria um ambiente neural propício para vivências intensas. 

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