Geral
por José Nilton Jr.
Publicado em 08/06/2026, às 16h29
Acordar com mãos dormentes ou sentir formigamento pode indicar a síndrome do túnel do carpo, condição que afeta o nervo mediano e pode comprometer a força, a sensibilidade e os movimentos das mãos quando não recebe tratamento adequado.
Conforme orienta o ortopedista e especialista em cirurgia da mão, Dr. Ítalo Aurélio, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), muitas pessoas convivem com os sintomas durante meses ou até anos sem perceber que estão diante de uma compressão nervosa.
“O formigamento pode acontecer ocasionalmente, mas quando se torna frequente, especialmente durante a noite ou ao despertar, merece investigação. Se vier acompanhado de dor, dormência ou perda de força, a avaliação médica é indispensável”, destaca o especialista.
A síndrome do túnel do carpo surge quando o nervo mediano é comprimido ao atravessar uma estrutura localizada no punho conhecida como túnel do carpo. A doença está entre as neuropatias compressivas mais comuns da ortopedia e figura entre as principais causas de formigamento nas mãos.
Além da sensação de dormência, os pacientes podem apresentar choques, dores e dificuldade para executar atividades simples do cotidiano. Em muitos casos, os sintomas se intensificam durante a madrugada, interrompendo o sono.
Ainda segundo o Dr. Ítalo Aurélio, um relato frequente entre os pacientes é a necessidade de balançar ou movimentar as mãos durante a noite para aliviar o desconforto causado pela compressão do nervo.
Com a progressão da doença, tarefas rotineiras passam a exigir esforço maior. Abrir potes, segurar copos, utilizar talheres, escrever, digitar ou até mesmo abotoar roupas podem se tornar atividades difíceis.
Nos quadros mais avançados, a perda de força compromete a destreza manual e pode provocar atrofia muscular, reduzindo significativamente a funcionalidade das mãos e impactando diretamente a qualidade de vida.
O especialista alerta que o atraso no diagnóstico aumenta o risco de danos permanentes. Quando a compressão do nervo permanece por longos períodos, podem ocorrer perdas irreversíveis de sensibilidade e força.
O aumento do uso de celulares e computadores levantou dúvidas sobre uma possível relação direta entre a tecnologia e a síndrome do túnel do carpo. Segundo o médico, esses equipamentos não são considerados a causa da doença.
Entretanto, longos períodos de uso, movimentos repetitivos, ausência de pausas e posições inadequadas dos punhos podem contribuir para o agravamento dos sintomas em pessoas predispostas ao problema.
Além dos movimentos repetitivos, fatores como diabetes, hipotireoidismo, excesso de peso e alterações hormonais também estão associados ao aumento do risco de desenvolver a condição.
O tratamento varia conforme o estágio da doença. Em muitos casos, medidas conservadoras, como fisioterapia, uso de órteses e mudanças de hábitos, são suficientes para controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
Já nos pacientes que apresentam piora progressiva, perda de força ou comprometimento importante do nervo mediano, a cirurgia pode ser indicada para aliviar a compressão e evitar sequelas permanentes.
“A cirurgia é recomendada quando o tratamento conservador não apresenta resultados satisfatórios ou quando já existe comprometimento significativo do nervo. O objetivo é preservar a função da mão e impedir danos definitivos”, explica Dr. Ítalo Aurélio.
De acordo com o especialista, quando realizada no momento adequado, a intervenção costuma apresentar elevados índices de recuperação e melhora funcional, permitindo que o paciente retome suas atividades com mais segurança e qualidade de vida.
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