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Explosão de casos de câncer de pele assusta o Brasil e acende alerta da dermatologia; entenda

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Para a SBD, ampliar o diagnóstico precoce do câncer de pele depende diretamente do aumento da oferta de consultas dermatológicas na rede pública  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/iStock
José Nilton Jr.

por José Nilton Jr.

Publicado em 26/01/2026, às 14h45



Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) revelam que o total de diagnósticos de câncer de pele no Brasil aumentou de 4.237 em 2014 para 72.728 em 2024. O levantamento mostra ainda que a incidência da doença segue um padrão regional bem definido, com maior concentração de casos em estados das regiões Sul e Sudeste.

A estimativa nacional para 2024 foi de 34,27 casos a cada 100 mil habitantes, índice levemente inferior ao pico registrado em 2023, quando chegou a 36,28. Entre os estados com maiores taxas estão o Espírito Santo, com 139,37 casos, e Santa Catarina, com 95,65. 

Segundo a SBD, fatores como maior exposição solar, predominância de pessoas com pele clara e o envelhecimento da população ajudam a explicar os números elevados, especialmente nas regiões com histórico de maior incidência da doença.

Diferenças regionais e avanço da vigilância

Nas regiões Norte e Nordeste, as taxas permanecem mais baixas em comparação ao Sul e Sudeste, embora alguns estados tenham apresentado crescimento relevante em 2024. Rondônia e Ceará, por exemplo, registraram aumento expressivo nos diagnósticos, indicando mudança no cenário epidemiológico.

Para a entidade, o crescimento em estados que tradicionalmente notificavam poucos casos, como Roraima, Acre e Amapá, pode indicar avanço na vigilância epidemiológica. Ainda assim, a SBD alerta que a subnotificação segue sendo um desafio, sobretudo em áreas rurais e de difícil acesso.

Diagnóstico precoce ainda é desafio no SUS

A SBD observa que o aumento mais acentuado dos diagnósticos passou a ocorrer a partir de 2018, quando se tornou obrigatório o preenchimento do Cartão Nacional de Saúde e da Classificação Internacional de Doenças nas biópsias laboratoriais. A mudança contribuiu para registros mais precisos em todo o país.

Apesar disso, a entidade destaca que pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam dificuldades maiores para acessar dermatologistas. Segundo os dados, usuários do SUS têm 2,6 vezes mais obstáculos para conseguir uma consulta especializada em comparação com quem utiliza a rede privada.

Para a SBD, ampliar o diagnóstico precoce depende diretamente do aumento da oferta de consultas dermatológicas na rede pública, já que a identificação em estágios iniciais melhora as chances de cura e reduz a necessidade de tratamentos mais agressivos.

Tratamento mais complexo e demora no atendimento

De acordo com a entidade, o diagnóstico tardio eleva a complexidade do tratamento, exigindo intervenções mais invasivas e prolongadas. O problema é agravado em regiões do interior do país, onde pacientes precisam percorrer longas distâncias até centros especializados em oncologia.

Estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul concentram a maior parte dos Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia e das Unidades de Assistência de Alta Complexidade, enquanto estados da Região Norte contam com estrutura bastante limitada.

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