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Ex-traficante que escreveu livros na maior prisão do RN quer levar mensagem de transformação a cadeias do Brasil

Anderson Barbosa
Newton Albuquerque escreveu seus primeiros livros à mão, usando apenas papel e caneta, enquanto cumpria pena em Alcaçuz, maior prisão do RN  |   BNews RN - Divulgação Anderson Barbosa
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por Anderson Barbosa

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Publicado em 12/07/2026, às 06h00



Depois de transformar a própria história em livros que já venderam mais de 40 mil exemplares, Newton Albuquerque Gomes de Andrade, de 50 anos, prepara o lançamento de duas novas obras. Ex-presidiário, ele já foi considerado o traficante de drogas mais perigoso do Rio Grande do Norte. Além de escritor, hoje ele vive de palestras.   

Seus primeiros livros foram escritos à mão, usando apenas papel e caneta, enquanto cumpria pena na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na Grande Natal. Os próximos projetos de Newton Albuquerque são o "Pequeno Gênio", uma obra de ficção inspirada na trajetória de Cafu, o ex-capitão da Seleção Brasileira, e "Transformação Individual", um livro de autoajuda voltado exclusivamente para pessoas privadas de liberdade.

"Transformação Individual" é uma obra de autoajuda voltada para o preso
"Transformação Individual" é uma obra de autoajuda voltada para o preso

A expectativa do autor é lançar as duas obras ainda este ano, embora "Pequeno Gênio" ainda dependa da estratégia editorial da Giostri Editora.

"O 'Transformação Individual' é um projeto que nasceu pensando exclusivamente no preso. É uma reflexão para quem está privado de liberdade, mostrando que existe um caminho diferente", explica Newton.

"Um ex-presidiário escrever um livro não é algo comum. É difícil pra caramba. Mas, um egresso do sistema escrever um livro voltado para quem tá lá dentro, dedicado exclusivamente ao próprio detento, esta é a primeira vez", acrescentou.

Em entrevista ao BNews RN, ele afirmou que deposita grande expectativa na nova publicação.

"Expectativa muito grande, principalmente para o lançamento do livro 'Transformação Individual', justamente em razão da possibilidade de poder viajar pelo país, visitando todo o sistema penitenciário".

Literatura nascida atrás das grades

Newton passou 10 anos preso atrás das grades por tráfico de drogas. Foram nove anos em Alcaçuz e um ano no Presídio Federal de Mossoró. "Eu praticamente inaugurei o presídio de Mossoró. Fui o número 1 de lá", relembra.

"A Escolha Errada" foi lançado em 2019, quando Newton já estava no semiaberto
"A Escolha Errada" foi lançado em 2019, quando Newton já estava no semiaberto

Durante o período de encarceramento, ele escreveu cinco livros de forma totalmente manual. O primeiro deles, "A Escolha Errada", foi lançado em 2019, quando Newton já estava no semiaberto. A obra se tornou um fenômeno editorial, alcançando mais de 40 mil exemplares vendidos. O livro está em sua terceira edição. A obra também ganhou uma adaptação em história em quadrinhos, publicada em 2021.

Em 2023, Newton lançou seu segundo livro, "Playboy do Crime", também escrito enquanto ainda cumpria pena.

Agora, Newton trabalha para ampliar esse legado com novos títulos, desta vez abordando tanto a ficção quanto a ressocialização de pessoas privadas de liberdade.

História inspirada em Cafu

Entre os novos projetos, "Pequeno Gênio" conta a trajetória de um garoto que sonha em se tornar jogador de futebol.

Exemplar de "A Escolha Errada" foi entregue ao ex-jogador Cafu, em São Paulo
Exemplar de "A Escolha Errada" foi entregue ao ex-jogador Cafu, em São Paulo

A inspiração veio da história de superação do ex-lateral e capitão da Seleção Brasileira, Cafu, considerado um dos maiores exemplos de perseverança no esporte brasileiro.

Segundo Newton, a obra pretende mostrar às crianças que determinação, disciplina e persistência podem mudar destinos.

Da prisão para as salas de aula

Desde que conquistou a liberdade, Newton mudou completamente de vida.

Hoje é casado, pai de um menino de três anos e dedica sua rotina à realização de palestras em escolas, universidades e eventos, onde compartilha sua trajetória de erros, arrependimento e reconstrução pessoal.

Desde que conquistou a liberdade, Newton mudou completamente de vida
Desde que conquistou a liberdade, Newton mudou completamente de vida

Ele também continua cumprindo as determinações judiciais da execução penal. Atualmente está em liberdade condicional e, até 2037, deve comparecer à Justiça duas vezes por mês.

Reconhecimento nacional

Na última semana, Newton foi homenageado ao assumir a cadeira de número 38 da Associação Brasileira de Letras do Cárcere (ABLC), durante cerimônia realizada no Rio de Janeiro.

Newton assumiu a cadeira de número 38 da Associação Brasileira de Letras do Cárcere (ABLC
Newton assumiu a cadeira de número 38 da Associação Brasileira de Letras do Cárcere (ABLC

O reconhecimento soma-se a outra conquista importante ligada à sua história.

Em dezembro do ano passado, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte conquistou o Prêmio Innovare, na categoria Juiz, com o projeto Escritores do Cárcere, idealizado pelo juiz criminal Fábio Ataíde, magistrado que incentivou Newton a transformar a escrita em instrumento de ressocialização.

A história

Natural de São Paulo, Newton Albuquerque foi preso em outubro de 2008, em Genipabu, no litoral potiguar, durante a quinta viagem que fazia transportando drogas para o Nordeste.

No momento da prisão, Newton foi flagrado com 200 kg de crack e 100 kg de cocaína
No momento da prisão, Newton foi flagrado com 200 kg de crack e 100 kg de cocaína

Na ocasião, foi flagrado com 200 quilos de crack e 100 quilos de cocaína, totalizando 300 quilos de entorpecentes. À época, foi a maior apreensão de drogas da história do Rio Grande do Norte. O recorde deu fama a Newton, e ele passou a ser considerado o maior traficante de drogas do estado.  

Condenado a 20 anos e nove meses de prisão, cumpriu a maior parte da pena em Alcaçuz.

Em agosto de 2018, progrediu para o regime semiaberto. Permaneceu dois anos e três meses utilizando tornozeleira eletrônica e, posteriormente, passou oito meses no regime aberto, já sem o equipamento.

Hoje, em suas palestras, Newton mostra que a educação, a leitura e a escrita podem representar uma nova oportunidade para quem deseja reconstruir a própria história.

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