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Depois de transformar a própria história em livros que já venderam mais de 40 mil exemplares, Newton Albuquerque Gomes de Andrade, de 50 anos, prepara o lançamento de duas novas obras. Ex-presidiário, ele já foi considerado o traficante de drogas mais perigoso do Rio Grande do Norte. Além de escritor, hoje ele vive de palestras.
Seus primeiros livros foram escritos à mão, usando apenas papel e caneta, enquanto cumpria pena na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na Grande Natal. Os próximos projetos de Newton Albuquerque são o "Pequeno Gênio", uma obra de ficção inspirada na trajetória de Cafu, o ex-capitão da Seleção Brasileira, e "Transformação Individual", um livro de autoajuda voltado exclusivamente para pessoas privadas de liberdade.
A expectativa do autor é lançar as duas obras ainda este ano, embora "Pequeno Gênio" ainda dependa da estratégia editorial da Giostri Editora.
"O 'Transformação Individual' é um projeto que nasceu pensando exclusivamente no preso. É uma reflexão para quem está privado de liberdade, mostrando que existe um caminho diferente", explica Newton.
"Um ex-presidiário escrever um livro não é algo comum. É difícil pra caramba. Mas, um egresso do sistema escrever um livro voltado para quem tá lá dentro, dedicado exclusivamente ao próprio detento, esta é a primeira vez", acrescentou.
Em entrevista ao BNews RN, ele afirmou que deposita grande expectativa na nova publicação.
"Expectativa muito grande, principalmente para o lançamento do livro 'Transformação Individual', justamente em razão da possibilidade de poder viajar pelo país, visitando todo o sistema penitenciário".
Newton passou 10 anos preso atrás das grades por tráfico de drogas. Foram nove anos em Alcaçuz e um ano no Presídio Federal de Mossoró. "Eu praticamente inaugurei o presídio de Mossoró. Fui o número 1 de lá", relembra.
Durante o período de encarceramento, ele escreveu cinco livros de forma totalmente manual. O primeiro deles, "A Escolha Errada", foi lançado em 2019, quando Newton já estava no semiaberto. A obra se tornou um fenômeno editorial, alcançando mais de 40 mil exemplares vendidos. O livro está em sua terceira edição. A obra também ganhou uma adaptação em história em quadrinhos, publicada em 2021.
Em 2023, Newton lançou seu segundo livro, "Playboy do Crime", também escrito enquanto ainda cumpria pena.
Agora, Newton trabalha para ampliar esse legado com novos títulos, desta vez abordando tanto a ficção quanto a ressocialização de pessoas privadas de liberdade.
Entre os novos projetos, "Pequeno Gênio" conta a trajetória de um garoto que sonha em se tornar jogador de futebol.
A inspiração veio da história de superação do ex-lateral e capitão da Seleção Brasileira, Cafu, considerado um dos maiores exemplos de perseverança no esporte brasileiro.
Segundo Newton, a obra pretende mostrar às crianças que determinação, disciplina e persistência podem mudar destinos.
Desde que conquistou a liberdade, Newton mudou completamente de vida.
Hoje é casado, pai de um menino de três anos e dedica sua rotina à realização de palestras em escolas, universidades e eventos, onde compartilha sua trajetória de erros, arrependimento e reconstrução pessoal.
Ele também continua cumprindo as determinações judiciais da execução penal. Atualmente está em liberdade condicional e, até 2037, deve comparecer à Justiça duas vezes por mês.
Na última semana, Newton foi homenageado ao assumir a cadeira de número 38 da Associação Brasileira de Letras do Cárcere (ABLC), durante cerimônia realizada no Rio de Janeiro.
O reconhecimento soma-se a outra conquista importante ligada à sua história.
Em dezembro do ano passado, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte conquistou o Prêmio Innovare, na categoria Juiz, com o projeto Escritores do Cárcere, idealizado pelo juiz criminal Fábio Ataíde, magistrado que incentivou Newton a transformar a escrita em instrumento de ressocialização.
Natural de São Paulo, Newton Albuquerque foi preso em outubro de 2008, em Genipabu, no litoral potiguar, durante a quinta viagem que fazia transportando drogas para o Nordeste.
Na ocasião, foi flagrado com 200 quilos de crack e 100 quilos de cocaína, totalizando 300 quilos de entorpecentes. À época, foi a maior apreensão de drogas da história do Rio Grande do Norte. O recorde deu fama a Newton, e ele passou a ser considerado o maior traficante de drogas do estado.
Condenado a 20 anos e nove meses de prisão, cumpriu a maior parte da pena em Alcaçuz.
Em agosto de 2018, progrediu para o regime semiaberto. Permaneceu dois anos e três meses utilizando tornozeleira eletrônica e, posteriormente, passou oito meses no regime aberto, já sem o equipamento.
Hoje, em suas palestras, Newton mostra que a educação, a leitura e a escrita podem representar uma nova oportunidade para quem deseja reconstruir a própria história.
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