Geral
O Hospital Pediátrico Maria Alice Fernandes enfrenta uma grave crise na assistência infantil, com cirurgias ortopédicas suspensas e dezenas de crianças sem atendimento, apesar do pagamento à empresa terceirizada Justiz.
O Sindsaúde/RN aponta que a situação é agravada por atrasos nos repasses para materiais essenciais, limitando a realização de procedimentos complexos e restringindo a previsão de cirurgias apenas às mais simples.
A falta de profissionais, como bioquímicos, e a dependência de empresas terceirizadas evidenciam a fragilidade do sistema de saúde, levando o sindicato a exigir a convocação de aprovados em concurso para melhorar a situação e garantir serviços essenciais.
O cenário no Hospital Pediátrico Maria Alice Fernandes, referência no atendimento infantil na Zona Norte de Natal, é de incerteza e grave comprometimento da assistência. Apesar do anúncio da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) sobre o pagamento realizado à empresa terceirizada Justiz na última terça-feira (24), as cirurgias ortopédicas continuam suspensas, deixando dezenas de crianças do Rio Grande do Norte sem o atendimento necessário.
De acordo com o Sindsaúde/RN, o problema vai além do pagamento dos salários dos médicos. A empresa responsável pelo fornecimento de materiais essenciais, como próteses, placas e parafusos, também estaria com repasses atrasados, o que impede a realização de procedimentos de alta complexidade. Com isso, a previsão de retomada para esta segunda-feira (30) pode ficar restrita apenas a cirurgias simples, que não dependem desses insumos.
A denúncia do sindicato aponta ainda uma falha gravíssima na escala deste fim de semana. No sábado (28), a unidade teria ficado sem nenhum bioquímico escalado, profissional fundamental para o funcionamento das duas UTIs do hospital e para o suporte a pacientes crônicos em ventilação mecânica.
O técnico de enfermagem Edgar Alvino alerta que o adiamento de cirurgias de trauma não é apenas uma questão estética ou de conforto: "O adiamento pode trazer complicações sérias, como embolia pulmonar e agravamento das lesões". Atualmente, o hospital realiza uma média de 20 procedimentos de alta complexidade por mês, todos agora sob risco.
Para o diretor do Sindsaúde, Paulo Martins, a crise evidencia a fragilidade do modelo de gestão. "Quando o estado deixa de pagar essas empresas, o serviço para. Isso não pode virar rotina", declarou. A entidade defende a convocação imediata dos aprovados no concurso da Sesap de 2025 para reduzir a dependência de contratos temporários e garantir a continuidade dos serviços essenciais.
Enquanto o impasse entre governo e fornecedores não é totalmente resolvido, famílias potiguares seguem em uma vigília angustiante nos corredores do hospital, aguardando uma definição para a saúde de seus filhos.
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