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Crise milionária: Habib’s entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265 milhões

Divulgação/Habib’s
Grupo Gennius, controlador de Habib’s e Ragazzo, entra com pedido de recuperação judicial após dívidas de R$ 265,2 milhões  |   BNews RN - Divulgação Divulgação/Habib’s
Jussier Lucas

por Jussier Lucas

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Publicado em 26/08/2026, às 18h13



O Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, entrou com pedido de recuperação judicial após declarar uma dívida de R$ 265,2 milhões. O pedido foi feito na segunda-feira (24) e aceito pela Justiça de São Paulo na terça-feira (25).

A decisão foi proferida pelo juiz Jomar Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). A KPMG foi nomeada como administradora judicial para acompanhar o processo.

Apesar da recuperação judicial, o grupo afirma que os restaurantes continuam funcionando normalmente, com atendimento aos clientes e rotina mantida nas unidades. O processo, segundo a empresa, faz parte de uma estratégia de reestruturação financeira para preservar a continuidade dos negócios.

Grupo aponta fatores que agravaram crise financeira

No pedido apresentado à Justiça, o Grupo Gennius atribuiu parte das dificuldades financeiras aos efeitos da pandemia de Covid-19, à mudança nos hábitos de consumo provocada pelo avanço do delivery e à alta dos juros.

Segundo a empresa, a pandemia reduziu o movimento em shoppings e centros urbanos onde havia muitas de suas unidades. Ao mesmo tempo, a expansão das plataformas de entrega alterou a relação dos consumidores com os restaurantes e contribuiu para a queda no fluxo de clientes.

A companhia também afirmou que o aumento dos juros encareceu as dívidas enquanto o caixa permanecia pressionado pela redução do movimento. O cenário teria dificultado o pagamento de fornecedores e ampliado a necessidade de reorganização financeira.

O grupo já havia recorrido à Justiça antes do pedido de recuperação judicial. Em julho, uma decisão concedeu parcialmente uma medida cautelar e suspendeu, por 60 dias, execuções relacionadas a dívidas que poderiam ser incluídas em um eventual processo de recuperação.

Segundo os documentos apresentados pela empresa, o período de proteção ajudou a criar um ambiente de negociação com os credores, mas não foi suficiente para solucionar os problemas financeiros. Diante disso, o grupo afirmou ter identificado a necessidade de uma reestruturação global do endividamento.

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O que acontece agora

Com o processamento da recuperação judicial, as cobranças e execuções contra as empresas abrangidas pelo processo ficam suspensas pelo prazo previsto na legislação. A medida permite que o grupo organize as finanças e negocie com os credores sem a interrupção imediata das atividades.

A KPMG deverá analisar a situação das empresas e acompanhar o processo. Também será publicada a relação de credores, que poderão contestar valores ou apresentar pedidos de inclusão de créditos.

O Grupo Gennius terá 60 dias, contados a partir da publicação da decisão, para apresentar um plano de recuperação judicial. A proposta deverá estabelecer as condições para pagamento das dívidas e poderá incluir prazos, descontos e outras medidas de reorganização financeira.

O plano será analisado pelos credores dentro das regras estabelecidas pela Justiça. Caso não seja apresentado dentro do prazo legal, a recuperação judicial poderá ser convertida em falência.

Franquias não entram no processo

O Grupo Gennius possui 119 lojas próprias do Habib’s, 26 unidades do Ragazzo e seis churrascarias Tendall. A empresa também conta com uma rede de franquias, mas as unidades franqueadas não fazem parte do processo de recuperação judicial.

O Habib’s está presente no mercado brasileiro há quase quatro décadas. A rede foi fundada no fim dos anos 1980 e ganhou espaço no setor de alimentação rápida com uma estratégia baseada em preços mais baixos e expansão por meio de lojas próprias e franquias.

Com o passar dos anos, o grupo ampliou sua atuação e incorporou outras marcas, como o Ragazzo e o Tendall Grill. A estrutura também inclui operações voltadas à produção de insumos utilizados pelas próprias redes.

Em nota, o Grupo Gennius afirmou que a recuperação judicial tem como objetivo preservar a sustentabilidade e a evolução dos negócios no longo prazo. A empresa também reforçou que as operações continuam normalmente e que permanece comprometida com a continuidade das marcas.

Para os consumidores, portanto, a recuperação judicial não significa o fechamento imediato dos restaurantes. As unidades próprias seguem em funcionamento, enquanto o grupo busca reorganizar suas dívidas e negociar as condições de pagamento com os credores.

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