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Contaminação Ypê? Infectologista descarta suspeita em menina do RN. Veja diagnóstico

Foto: Paulo Renato Nepomuceno
Maria Clara Silva, de 10 anos, apresenta lesões após usar detergente, mas especialista descarta ligação com o produto.  |   BNews RN - Divulgação Foto: Paulo Renato Nepomuceno
Ranyere Fonseca

por Ranyere Fonseca

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Publicado em 17/05/2026, às 09h15



O caso da pequena Maria Clara Silva, de 10 anos, internada em Natal após apresentar uma reação severa na pele logo após lavar as mãos com um detergente da marca Ypê, continua repercutindo e mobilizando as autoridades de saúde do Rio Grande do Norte. 

O renomado infectologista Dr. Kleber Luz avaliou as imagens das lesões na pele da criança e descartou praticamente qualquer chance de relação com o produto. Segundo ele, as manchas avermelhadas se assemelham fortemente à Parvovirose (causada pelo parvovírus B19), uma infecção viral respiratória muito comum e geralmente benigna em crianças.

"A chance de ser a bactéria do Ypê é quase impossível. As manchas que a Pseudomonas aeruginosa [bactéria que motivou o recolhimento pela Anvisa] produz na pele são enegrecidas, escuras", explicou o médico.
O infectologista Dr. Kleber Luz esclareceu o caso e descartou a contaminação pelo produto.
O infectologista Dr. Kleber Luz esclareceu o caso e descartou a contaminação pelo produto. Foto: cedida ao Tribuna do Norte

O desespero da Mãe e a politização do caso

A mãe da menina, Tatiana Silva, relatou que o drama começou no dia 6 de maio. Maria Clara tinha um pequeno ferimento na mão e, cerca de 40 minutos após usar o detergente (cujo lote terminava com o número 1, alvo de alerta da Anvisa), começou a passar mal. Após quatro passagens sem diagnóstico definitivo pela UPA Potengi e unidades de São Gonçalo do Amarante, onde uma médica chegou a alertar para o risco de infecção generalizada, Tatiana conseguiu a transferência da filha para o Hospital Infantil Varela Santiago na última quarta-feira (13). O quadro da menina é estável e apresenta leve melhora.

Emocionada, Tatiana fez um apelo público e lamentou os ataques que passou a receber nas redes sociais após o caso ganhar contornos políticos em Brasília, já que os donos da empresa fabricante foram doadores da campanha de Jair Bolsonaro em 2022.

"Não estou dizendo que a causa é o detergente. Muita gente está me esculhambando. Eu não tenho lado de PT, eu sou do lado dos princípios de Deus. Eu só chamei a reportagem para ajudar a minha filha a sair da UPA, porque ela estava tendo muitas crises. Minha única preocupação é com a saúde dela", desabafou a mãe.

Investigação oficial

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Natal e a Sesap-RN confirmaram que o caso está sendo rigorosamente investigado pela Vigilância Epidemiológica. Uma coleta de sangue foi realizada e os resultados laboratoriais definitivos devem ser liberados nos próximos dias para confirmar se o diagnóstico é, de fato, a Parvovirose. A SMS informou que não foi necessário recolher o frasco de detergente da casa da família por se tratar de um lote já mapeado pela Anvisa.

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