Polícia

Assustador: feminicídios crescem mais de 30% no Brasil em 2025

Tânia Rêgo/Agência Brasil
Dados alarmantes mostram que o Brasil registrou 6.904 vítimas de feminicídio em 2025, um aumento significativo em relação ao ano anterior  |   BNews RN - Divulgação Tânia Rêgo/Agência Brasil

Publicado em 02/03/2026, às 20h08   Malu Machado



O Brasil registrou 6.904 vítimas de feminicídio em 2025, um aumento de 34% em relação ao ano anterior, refletindo um cenário alarmante de violência contra a mulher no país.

O relatório da Universidade Estadual de Londrina revela que a maioria dos crimes ocorre no âmbito íntimo, com 75% dos casos envolvendo companheiros ou ex-companheiros, e destaca a subnotificação como um problema significativo na coleta de dados.

As autoridades e pesquisadores apontam a necessidade de melhor formação para profissionais de segurança pública na identificação de feminicídios, enquanto o impacto social é devastador, com 1.653 crianças se tornando órfãs devido a esses crimes.

Resumo gerado por IA

O Brasil registrou um aumento alarmante na violência contra a mulher no último ano. Em 2025, o país contabilizou 6.904 vítimas de feminicídio (entre casos consumados e tentados), um crescimento de 34% em relação a 2024. 

Os dados constam no Relatório Anual de Feminicídios no Brasil, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL).

O levantamento detalha que foram 2.149 assassinatos e 4.755 tentativas, o que resulta em uma média trágica de quase seis (5,89) mulheres mortas por dia no território nacional.

Divergência e subnotificação

O relatório da UEL identifica um número 38,8% maior do que o divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Segundo a pesquisadora do Lesfem, Daiane Bertasso, a diferença ocorre pela subnotificação e pela falta de tipificação correta do crime no registro policial.

Mesmo os nossos dados sendo acima dos dados da segurança pública, a gente acredita que há ainda subnotificação. Porque nem todo o crime de feminicídio é noticiado, divulgado nas mídias. Pelas nossas experiências e pesquisas, a gente acredita que esse registro ainda é inferior à realidade, infelizmente”, explicou Bertasso.

A pesquisadora reforça que a identificação desses crimes exige um olhar técnico que nem sempre está presente nas delegacias: “As pesquisadoras têm um olhar mais acurado para identificar quando é uma tentativa de feminicídio. Já em relação aos registros da segurança pública, nem todos os municípios e estados têm um investimento numa formação específica dos profissionais para identificar esse tipo de crime”.

Perfil da violência e órfãos

A análise aponta que 75% dos crimes ocorrem no âmbito íntimo (companheiros ou ex-companheiros) e a maioria das agressões acontece na própria casa (38%). Além disso, o impacto social é devastador: 1.653 crianças ficaram órfãs em decorrência dos feminicídios em 2025.

Um crime que não é inesperado

Para Daiane Bertasso, o feminicídio é o desfecho de um ciclo de abusos que a sociedade muitas vezes ignora devido ao machismo estrutural.

O feminicídio não é um crime inesperado. É um crime que resulta de relações familiares e íntimas. E ele se dá depois de um ciclo de violências de vários tipos”, afirmou a pesquisadora.

Ela acrescenta que a "masculinidade tóxica" têm fortalecido ideais misóginos que influenciam jovens e crianças, contribuindo para a manutenção desse cenário de violência.

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