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Cientistas criam microagulhas feitas com adoçante para potencializar tratamento contra calvície

O diferencial do estudo está no material usado para fabricar as microagulhas: o esteviosídeo - Reprodução/Freepik
Para tornar o método prático, os pesquisadores criaram um adesivo com 100 microagulhas em formato piramidal. As pontas penetram suavemente na epiderme  |   BNews RN - Divulgação O diferencial do estudo está no material usado para fabricar as microagulhas: o esteviosídeo - Reprodução/Freepik
José Nilton Jr.

por José Nilton Jr.

Publicado em 04/11/2025, às 15h11



A queda de cabelo afeta homens e mulheres e traz impactos estéticos e emocionais para quem passa pela situação, muitas vezes associados à queda da autoestima e até à ansiedade. Em busca de soluções mais eficientes para o problema, pesquisadores de países como China e da Austrália desenvolveram uma forma inovadora de aplicar o minoxidil.

O medicamento é um dos poucos que é reconhecido pela ciência para tratamento da calvície. A proposta foi publicada na revista Advanced Healthcare Materials. Mesmo que o minoxidil seja amplamente utilizado há vários anos na forma de loção e espuma, parte do produto se perde antes de alcançar os folículos capilares.

Para contornar essa limitação, os cientistas apostaram no microagulhamento com agulhas dissolvíveis que depositam o fármaco diretamente na pele.

O “adoçante” que vira microagulha

O diferencial do estudo está no material usado para fabricar as microagulhas: o esteviosídeo, composto natural derivado da planta estévia, muito comum como adoçante.

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Além de ser sólido o suficiente para penetrar a pele sem causar dor, o esteviosídeo possui uma característica anfifílica, capaz de formar micelas, que são pequenas estruturas que funcionam como cápsulas para transportar o minoxidil.

Como o medicamento não se mistura bem com água, as micelas o “embalam” em seu interior, permitindo que seja levado até o ambiente úmido da pele, onde se desintegram e liberam o minoxidil diretamente próximo aos folículos.

Essas micelas funcionam de forma semelhante ao processo de limpeza promovido por shampoos e detergentes, em que a parte hidrofóbica captura gordura e a parte hidrofílica facilita a mistura com água. Nas microagulhas, o núcleo protege o minoxidil e a camada externa o torna solúvel.

Do laboratório à pele

Para tornar o método mais prático, os pesquisadores criaram um adesivo com 100 microagulhas em formato piramidal. As pontas penetram suavemente na epiderme, abrem microcanais e se dissolvem, liberando o minoxidil sem dor, sem resíduos e sem desperdício.

Nos testes realizados inicialmente, a pele de orelhas de porco, semelhante à humana, mostrou alta absorção: mais de 85% do princípio ativo atravessou a pele e cerca de 20% ficou retido nas camadas cutâneas, garantindo ação prolongada.

Ratos com calvície mostram resultado expressivo

A etapa final avaliou o crescimento de pelos em ratos machos com alopecia induzida por testosterona. Quatro grupos foram comparados: sem tratamento, esteviosídeo puro, minoxidil tradicional a 2% e o novo adesivo STV-MXD.

Os resultados chamaram atenção: em duas semanas, os ratos tratados com o adesivo já exibiam crescimento visível. Após 35 dias, 67,5% da área tratada estava coberta por pelos escuros. O minoxidil convencional alcançou apenas 25,7%, demonstrando que as microagulhas triplicaram a eficácia do tratamento.

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