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Brasil sentado em um tesouro: estudo revela força ignorada dos minerais críticos

Foto: Gil Leonardi/Agência Minas
O levantamento analisa reservas e produção de minerais essenciais, como lítio e níquel, e suas implicações econômicas  |   BNews RN - Divulgação Foto: Gil Leonardi/Agência Minas
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 04/12/2025, às 14h26



O Brasil reúne grande potencial geológico para minerais críticos, aponta um novo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Apesar disso, esse potencial demorou a se transformar em resultados econômicos consistentes, deixando o país atrás de nações como China, Austrália, Chile e África do Sul em competitividade.

A pesquisa destaca que esses recursos são essenciais para setores estratégicos como defesa, tecnologia e transição energética, áreas fortemente dependentes de matérias-primas sujeitas a riscos de escassez ou concentração de fornecedores.

Entre os minerais críticos estão lítio, níquel, cobalto e terras raras, indispensáveis para a fabricação de baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas e semicondutores.

Dados do Instituto Brasileiro da Mineração (IBRAM) indicam que o país detém cerca de 10% das reservas mundiais desses materiais, reforçando o amplo potencial identificado pelo Ipea.

Potencial subaproveitado

O levantamento, intitulado Qual a importância do Brasil na cadeia global de minerais críticos da transição energética?, reúne análises sobre reservas, produção, comércio exterior e investimentos. Produzido por Rafael da Silveira Soares Leão, Mariano Laio de Oliveira e Danúbia Rodrigues da Cunha, o estudo foi apresentado nesta quinta-feira 4.

Mesmo com reservas expressivas, a participação brasileira no comércio internacional foi considerada tímida nas últimas duas décadas, resultado de entraves internos que limitaram a continuidade da produção mineral. Segundo os autores, a incerteza regulatória e a instabilidade dos investimentos afetaram a competitividade nacional.

O cenário, porém, começou a mudar nos últimos anos, quando houve aumento nos aportes de capital físico e retomada dos investimentos em pesquisa geológica. Para o Ipea, esse movimento acompanha tendências globais e pode abrir espaço para um ciclo virtuoso de expansão.

Caminho para um novo ciclo

Os pesquisadores avaliam que o país pode operar em um patamar superior de competitividade caso o atual ciclo de investimentos se consolide, embora reforcem a necessidade de moderar expectativas sobre o impacto do setor na economia nacional. Eles destacam que os avanços, apesar de promissores, exigem planejamento para garantir ganhos sustentáveis.

A cadeia produtiva da mineração brasileira registrou participação variável no Produto Interno Bruto entre 2000 e 2019, oscilando entre 0,75% e 2%, conforme oscilações das cotações internacionais das commodities. O minério de ferro, responsável por mais de dois terços do setor, foi o principal fator dessas variações.

Para o Ipea, o momento é decisivo para que o Brasil transforme seu potencial mineral ainda subexplorado em protagonismo na transição energética global.

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