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Bets continuam arrastando milhões para dívidas e acende alerta global sobre crise financeira familiar

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Estudos mostram que o avanço das bets está gerando um aumento significativo no endividamento das famílias no Brasil e no exterior  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/Folha PE
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 10/04/2026, às 12h52



O contínuo avanço das apostas online tem provocado efeitos diretos no endividamento das famílias no Brasil e no exterior, segundo estudos recentes de instituições como o National Bureau of Economic Research; o Federal Reserve de Nova York; e o Australian Gambling Research Centre.

As análises apontam aumento da inadimplência, redução da poupança e impactos sociais associados ao crescimento das chamadas bets.

No Brasil, levantamentos indicam que as apostas eletrônicas têm pressionado o orçamento doméstico. Dados do Instituto Locomotiva mostram que 25 milhões de pessoas apostaram entre janeiro e julho de 2024, número que chega a 52 milhões ao longo de cinco anos.

Entre os apostadores, 86 por cento afirmaram ter dívidas e 64 por cento estavam negativados na Serasa. O estudo também revela que 31 por cento dos endividados do país participam de apostas online.

Endividamento cresce e poupança encolhe

Outro levantamento, realizado pelo Instituto DataSenado, aponta que 42 por cento dos brasileiros que gastaram com bets em um mês estavam endividados, incluindo casos de atraso superior a 90 dias.

Nos Estados Unidos, a expansão do setor ganhou força após decisão da Suprema Corte, em 2018, que permitiu a regulamentação das apostas pelos estados. Atualmente, a prática é legal em 38 das 50 unidades federativas.

Pesquisadores vinculados ao National Bureau of Economic Research identificaram que cada dólar gasto em apostas reduz em igual valor a poupança ou investimentos das famílias, fenômeno chamado de efeito de substituição direta.

Inadimplência dispara entre apostadores

O Federal Reserve Bank of New York utilizou dados de crédito da Equifax e constatou que a legalização elevou em cerca de dez vezes os gastos com apostas online.

Segundo o estudo, cerca de 30 por cento dos adultos norte-americanos participam dessas plataformas, índice que chega a 60 por cento ao incluir outras modalidades de jogos. Entre os apostadores, há aumento médio de dez pontos percentuais na inadimplência.

O impacto é mais intenso entre pessoas com menos de 40 anos, que apresentam crescimento nas dívidas de cartão de crédito e financiamento de veículos. O levantamento também identificou o chamado efeito de transbordamento, quando indivíduos se deslocam para estados onde a prática é legal, exportando posteriormente dívidas para seus locais de origem.

Impactos sociais e perdas bilionárias

Desde 2018, mais de 500 bilhões de dólares foram movimentados em apostas nos Estados Unidos. Apesar da arrecadação de quase 3 bilhões de dólares em impostos em 2024, os estudos indicam que os custos sociais podem superar os ganhos fiscais.

Na Austrália, onde se registram as maiores perdas per capita com jogos, os prejuízos chegam a 32 bilhões de dólares australianos por ano. O levantamento National Gambling Prevalence Study 2024 aponta que 65,9 por cento dos jogadores de alto risco enfrentam dificuldades financeiras severas.

Dados do Australian Gambling Research Centre também associam o vício ao aumento de problemas sociais, incluindo maior incidência de violência doméstica e relatos de pensamentos suicidas entre apostadores de alto risco.

Brasil registra perdas no varejo e avanço das bets

No cenário brasileiro, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que o varejo deixou de faturar 103 bilhões de reais em 2024 devido ao redirecionamento de renda para apostas. O levantamento indica ainda que 1,8 milhão de pessoas entraram em inadimplência por causa das bets.

Apesar dos dados, o Banco Central do Brasil aponta limitações metodológicas em algumas análises. Em outubro de 2024, a instituição afirmou não haver garantia de precisão em estudos sobre transferências via Pix para empresas de apostas.

Outro estudo, do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo em parceria com a FIA Business School, sustenta que as apostas já superam fatores tradicionais, como juros e expansão do crédito, no avanço do endividamento familiar.

Faturamento bilionário e desafio regulatório

Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas indicam que o setor faturou 17,4 bilhões de reais apenas no primeiro semestre do ano passado. O volume reforça a dimensão econômica das apostas online e amplia os desafios regulatórios diante dos impactos financeiros e sociais observados.

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