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Após morte de paciente, exame expõe artefato esquecido no corpo em hospital municipal

Foto: Rádio Nova FM/Arquivo Pessoal/Reprodução
Tomografia revela presença de corpo estranho no paciente, levantando questões sobre a conduta médica e a transparência do hospital  |   BNews RN - Divulgação Foto: Rádio Nova FM/Arquivo Pessoal/Reprodução
Jussier Lucas

por Jussier Lucas

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Publicado em 02/01/2026, às 17h06



Manoel Cardoso de Brito, de 68 anos, faleceu após complicações de cirurgias no Hospital Municipal de João Pinheiro, levando a família a acusar a unidade de erro médico e omissão de informações sobre a presença de uma pinça cirúrgica esquecida em seu corpo.

O paciente foi internado com um quadro grave e passou por uma cirurgia de urgência, mas após uma segunda operação, sem autorização familiar, a família só soube da pinça cirúrgica após a morte de Manoel, quando uma tomografia foi divulgada pela imprensa local.

A Secretaria Municipal de Saúde confirmou a presença do corpo estranho e anunciou a abertura de sindicância para investigar o caso, enquanto a família busca laudos e prontuários médicos para tomar medidas legais, visando justiça e prevenção de novos incidentes.

Resumo gerado por IA

O aposentado Manoel Cardoso de Brito, de 68 anos, morreu na véspera do Natal após complicações decorrentes de duas cirurgias realizadas no Hospital Municipal de João Pinheiro, no Noroeste de Minas Gerais.

A família acusa a unidade de saúde de erro médico, omissão de informações e de ter realizado uma segunda cirurgia sem autorização para retirar uma pinça cirúrgica que teria sido esquecida dentro do corpo do paciente.

A Secretaria Municipal de Saúde confirmou, em nota, que houve a retirada de um “corpo estranho” durante o segundo procedimento cirúrgico, mas alegou que Manoel apresentava quadro clínico grave, com diversas comorbidades. A pasta informou ainda que reforçou protocolos de segurança e abriu sindicância para apurar o caso.

Cirurgia de urgência e internação na UTI

De acordo com o Boletim de Ocorrência (BO), Manoel passou mal em casa no dia 4 de dezembro e foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de João Pinheiro. Após exames, os médicos diagnosticaram uma úlcera gástrica e indicaram a necessidade de uma cirurgia de urgência, realizada no dia seguinte.

Segundo a equipe médica, o procedimento ocorreu normalmente. O paciente permaneceu internado por dois dias na UTI e, em seguida, foi transferido para um quarto do hospital.

Durante a internação, no entanto, familiares relataram que o idoso apresentava dores intensas e sonolência excessiva, o que passou a preocupar a cuidadora contratada pela família.

Família diz que hospital omitiu erro e fez nova cirurgia sem avisar

No dia 11 de dezembro, após suspeita de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), Manoel passou por uma tomografia. Segundo relato dos parentes, pouco tempo depois, profissionais de saúde chegaram de forma apressada ao quarto e levaram o paciente para uma nova cirurgia, sem explicar os motivos e sem solicitar autorização formal da família.

Após o segundo procedimento, os médicos informaram apenas que haviam retirado um dreno e pus da cavidade interna, sem detalhar o que havia sido encontrado. A família afirma que, naquele momento, não foi comunicada sobre a presença de uma pinça cirúrgica esquecida no corpo do paciente.

De acordo com os parentes, a informação só veio à tona após a morte do idoso, depois que uma rádio local divulgou a imagem da tomografia que indicaria a presença do instrumento cirúrgico.

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Tomografia indica presença de pinça cirúrgica

A tomografia divulgada pela imprensa local mostra o que seria uma pinça cirúrgica dentro da cavidade abdominal do paciente. Para a família, a imagem comprova o erro médico e reforça a acusação de que o hospital tentou omitir a falha.

Após a segunda cirurgia, Manoel retornou à UTI, onde permaneceu internado por mais 13 dias. Ele não resistiu às complicações e morreu no dia 24 de dezembro, um dia antes de completar 69 anos.

Defesa da família aguarda laudos e prontuários

O advogado da família, Iuri Evangelista Furtado, afirmou que as medidas legais começaram a ser adotadas após a divulgação do exame de imagem. Segundo ele, serão requisitados todos os prontuários médicos, laudos, exames e registros clínicos e administrativos do Hospital Municipal.

“A família não busca vingança, mas sim verdade, justiça e respeito à memória do senhor Manoel, além da proteção de outras vidas para que fatos semelhantes não se repitam”, declarou.

A Polícia Civil informou que, por estar em regime de plantão, não repassou detalhes sobre as investigações.

O que diz a Prefeitura de João Pinheiro

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que Manoel deu entrada no hospital no dia 5 de dezembro em estado clínico grave, com vômitos com sangramento, quadro infeccioso, rebaixamento do nível de consciência e histórico de diversas comorbidades, como cardiopatia, diabetes, arritmia cardíaca e sequelas de AVC.

A pasta informou que um corpo estranho foi identificado na cavidade abdominal e que a acompanhante do paciente teria sido comunicada sobre a necessidade de reabordagem cirúrgica. Segundo a Secretaria, a família foi informada posteriormente sobre a retirada do objeto.

Ainda de acordo com a nota, foram adotadas medidas como notificação de evento adverso, reforço dos protocolos de segurança do paciente, comunicação à Anvisa e abertura de sindicância para apuração rigorosa do caso.

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