Geral
por José Nilton Jr.
Publicado em 02/08/2026, às 09h00
De 1º a 7 de agosto, é celebrada a Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM), campanha realizada em mais de 120 países para incentivar, proteger e ampliar a prática da amamentação. No Brasil, a iniciativa é coordenada pelo Ministério da Saúde desde 1999 e reúne governos, instituições de saúde, organizações internacionais e entidades da sociedade civil em torno da promoção do aleitamento materno.
No Rio Grande do Norte, a data reforça a importância de ações desenvolvidas pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), que atua desde a Atenção Primária até a assistência hospitalar para ampliar o acesso das mães ao suporte necessário durante o período de amamentação.
Entre as principais estratégias está a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB), que fortalece a promoção, a proteção e o apoio ao aleitamento materno nas unidades de Atenção Primária à Saúde. A iniciativa qualifica o trabalho das equipes multiprofissionais e contribui para um cuidado mais efetivo às gestantes, puérperas, crianças e suas famílias.
Para ampliar essa atuação, profissionais da Atenção Primária podem se tornar tutores da estratégia, desde que sejam indicados pelas gestões municipais ou estadual e participem do curso de qualificação oferecido pelo programa.
Um dos principais pilares da política estadual de incentivo ao aleitamento materno é a Rede de Bancos de Leite Humano.
Esses serviços são responsáveis por coletar, processar e distribuir leite humano para recém-nascidos prematuros e de baixo peso internados em unidades neonatais, além de prestar orientação e apoio às mulheres que amamentam.
Atualmente, o Rio Grande do Norte conta com seis Bancos de Leite Humano e quatro Postos de Coleta, distribuídos nos municípios de Natal, Parnamirim, Caicó, Mossoró e Santa Cruz, ampliando o acesso das famílias ao serviço em diferentes regiões do estado.
Os números demonstram a importância dessa rede. Somente no ano passado, 3.702 mulheres doaram 5.510 litros de leite humano, volume que beneficiou 6.578 recém-nascidos potiguares.
Outra frente de atuação destacada pela Sesap é a Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), certificação concedida pelo Ministério da Saúde às maternidades que adotam os Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno e promovem boas práticas de atenção à saúde da mulher e do recém-nascido.
O Rio Grande do Norte possui sete maternidades reconhecidas como Hospitais Amigos da Criança:
Maternidade Escola Januário Cicco, em Natal;
Maternidade Divino Amor, em Parnamirim;
Hospital Maternidade Belarmina Monte, em São Gonçalo do Amarante;
Maternidade Leide Morais, em Natal;
Hospital Universitário Ana Bezerra, em Santa Cruz;
Hospital do Seridó, em Caicó;
Hospital Maternidade Almeida Castro, em Mossoró.
A certificação representa o compromisso das unidades com práticas que favorecem o início precoce da amamentação, o acolhimento às mães e a manutenção do aleitamento materno.
A estrutura de incentivo à amamentação também inclui as Salas de Apoio à Amamentação, ambientes preparados para oferecer conforto, privacidade e segurança às mulheres que precisam retirar, armazenar e conservar o leite materno durante a jornada de trabalho ou em serviços de saúde.
Atualmente, o estado dispõe de três salas de apoio, que contribuem para a continuidade da amamentação mesmo após o retorno das mães às atividades profissionais.
Entre as iniciativas desenvolvidas no estado também está a Cidade da Amamentação, localizada no Hospital Central Coronel Pedro Germano (Hospital da Polícia), integrada à Rede de Bancos de Leite Humano.
O serviço conta ainda com o Projeto Bombeiro Amigo do Peito, que realiza a coleta domiciliar do leite humano com o apoio do Corpo de Bombeiros Militar, facilitando a doação por mulheres que não conseguem se deslocar até um banco de leite.
Dados do Sistema Nacional de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) apontam que 54% das crianças potiguares com menos de seis meses recebem aleitamento materno exclusivo, conforme a recomendação do Ministério da Saúde.
Já entre crianças de seis meses a 23 meses, a prevalência do aleitamento materno continuado chega a 70%, indicador que demonstra a permanência da amamentação após a introdução alimentar.
O Ministério da Saúde recomenda que a amamentação seja mantida até os dois anos de idade ou mais e que, nos primeiros seis meses de vida, o bebê receba exclusivamente leite materno, sem água, chás ou outros alimentos.
O leite materno protege contra diarreias, infecções respiratórias e alergias, além de reduzir o risco de doenças como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e obesidade ao longo da vida. Estudos também apontam que crianças amamentadas apresentam melhores indicadores de desenvolvimento cognitivo.
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