Cidades
Publicado em 30/10/2025, às 11h48 Sammara Bezerra
Moradores dos Complexos do Alemão e da Penha realizaram um protesto na manhã desta quarta-feira (29) em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro, para denunciar o que chamaram de “carnificina” promovida pela operação policial que deixou mais de 100 mortos nas comunidades.
O ato foi marcado por críticas diretas ao governador Cláudio Castro, apontado pelos manifestantes como responsável pela ação mais letal da história do estado.
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O grupo saiu do Complexo da Penha escoltado por policiais do Batalhão de Choque e do Batalhão Tático Móvel (BATAM) até o Palácio Guanabara. Com cartazes e faixas, os moradores exibiram frases como “Estado genocida”, “Todas as vidas importam”, “150 mortes por uma guerra política” e “Castro assassino”. Bandeiras do Brasil manchadas de vermelho também foram erguidas em alusão ao sangue derramado durante a operação.
“Não é possível que esse governador não seja responsabilizado por tantas vidas. Ou nós já temos pena de morte no país? O que aconteceu dentro da comunidade foi um genocídio. Toda véspera de eleição, tem uma estratégia de entrar nas nossas comunidades, matar o nosso povo e causar o terror”, afirmou Rute Sales, moradora da região e ativista do movimento negro.
Outra participante do protesto destacou o uso político da violência nas favelas: “Os corpos estão sendo usados politicamente. E os corpos que tombam são os nossos, do povo preto e do povo pobre. Não aguentamos mais”, disse.
O protesto aconteceu pouco antes da reunião entre Cláudio Castro e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. No encontro, foi anunciada a criação de um escritório emergencial para enfrentar o crime organizado e ampliar a integração entre os governos federal e estadual. A coordenação do órgão será compartilhada entre o secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, e o secretário estadual de Segurança do Rio, Victor Santos.
Lewandowski informou ainda que o governo federal vai reforçar o efetivo da Polícia Rodoviária Federal em 50 agentes nas estradas do estado, aumentar o número de agentes de inteligência e disponibilizar peritos e vagas em presídios federais, caso seja necessário.
Apesar das denúncias de execuções e torturas feitas por moradores das comunidades, Cláudio Castro classificou a operação como “um sucesso”.
Segundo o governador, as únicas vítimas dos confrontos foram os quatro policiais mortos. “Demos um duro golpe na criminalidade”, afirmou, negando que tenha havido precipitação ou excessos por parte das forças de segurança.
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