Cidades
por Lavínia Manso
Publicado em 29/09/2026, às 09h44
O Rio Grande do Norte poderá enfrentar temperaturas entre 1°C e 2,5°C acima da média em períodos do verão de 2027, sobretudo em janeiro e fevereiro, segundo estimativa do meteorologista Gilmar Bistrot, da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn). A tendência está associada à atuação do El Niño e poderá levar Natal a registrar máximas de até 34°C.
Na capital, as temperaturas máximas médias da estação costumam variar entre 31°C e 32°C. Para regiões do interior, como Seridó, Mossoró e Alto Oeste, o meteorologista aponta a possibilidade de registros entre 38°C e 39°C, valores que já fazem parte do padrão de calor dessas áreas em determinadas épocas.
Apesar da projeção, Bistrot ressalta que ainda não é possível afirmar que o próximo verão será o mais quente da história do estado. A ocorrência de chuvas e o comportamento de outros sistemas atmosféricos poderão alterar as temperaturas entre dezembro e fevereiro.
Segundo o meteorologista, o El Niño está em atuação desde o fim de maio ou início de junho, mas seus efeitos ainda não foram percebidos de forma clara no Nordeste. A expectativa apresentada por ele é de intensificação entre outubro e novembro, com influência até pelo menos março ou abril de 2027.
O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento acima do normal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e pode modificar as condições do tempo em diferentes regiões.
Bistrot explica que o El Niño pode favorecer áreas de alta pressão sobre o Nordeste, reduzindo os ventos e contribuindo para a elevação das temperaturas. Os efeitos poderão aparecer ainda na primavera.
Essa primavera vai estar com gosto de verão”, afirma.
No litoral potiguar, onde as temperaturas normalmente são menores que as do interior, o aumento poderá ser mais perceptível. A intensidade da circulação do ar também terá influência sobre o desconforto sentido pela população.
Com menos vento e umidade próxima à superfície, a evaporação do suor fica dificultada, prejudicando a dissipação do calor corporal. Esse cenário pode tornar os períodos quentes mais desconfortáveis, segundo a explicação do meteorologista.
No interior, Bistrot destaca que o calor elevado já é frequente e pode ocorrer junto de baixa umidade. O Seridó está entre as regiões com potencial para os maiores registros. Em Caicó, os termômetros já se aproximaram de 40°C em setembro de anos anteriores.
A capital também enfrenta os efeitos da ilha de calor urbana, associados à redução da vegetação, à impermeabilização do solo, ao crescimento das áreas asfaltadas e à verticalização. Segundo Bistrot, esses fatores contribuem para o aquecimento da cidade independentemente do El Niño.
Uma das mudanças apontadas pelo meteorologista aparece nas temperaturas mínimas. Nas décadas de 1960 e 1970, os valores em janeiro e fevereiro ficavam em torno de 23°C a 24°C. Atualmente, conforme a avaliação apresentada por ele, já ultrapassam 26°C.
Tudo isso gera calor e gera desconforto térmico. Então, as pessoas têm que se preparar”, alerta.
A influência da urbanização se soma às condições atmosféricas que poderão marcar os próximos meses.
A possibilidade de precipitações é um dos motivos para a cautela sobre um eventual recorde de temperatura. Sistemas meteorológicos passageiros podem provocar chuva no Nordeste entre dezembro e fevereiro e amenizar o calor.
Bistrot também menciona estudos que relacionam episódios de El Niño à atuação de sistemas associados a frentes frias em latitudes mais baixas. Esse comportamento pode favorecer instabilidades e chuva em algumas áreas nordestinas.
Ondas de calor não estão descartadas, mas dependerão do deslocamento das massas de ar quente e da interação com outros sistemas sobre a América do Sul. Segundo o meteorologista, até o momento da avaliação não havia indicação de uma onda de calor prolongada avançando sobre o Nordeste.
Com informações do Novo Notícias
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