Cidades

El Niño já deixa prejuízo de R$ 68 milhões no RN, aponta CNM

Adriano Abreu
Fenômeno climático El Niño pode intensificar-se até 2027, com riscos de chuvas intensas e alagamentos no Nordeste  |   BNews RN - Divulgação Adriano Abreu
Lavínia Manso

por Lavínia Manso

Publicado em 25/09/2026, às 06h12



O Rio Grande do Norte já acumula R$ 68,2 milhões em prejuízos causados pelo El Niño em 2026, segundo levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Os dados, referentes aos meses de julho e agosto, mostram que 62,3 mil pessoas foram afetadas no estado, que também registrou 25 decretos de anormalidade, sendo 92% relacionados à seca ou estiagem.

Do valor total das perdas, R$ 60,5 milhões atingiram o setor privado e R$ 7,7 milhões o setor público. A pecuária aparece como a atividade mais afetada, com R$ 35,4 milhões em prejuízos, seguida pela agricultura, com R$ 24,4 milhões.

O levantamento integra o Boletim El Niño 2026/2027 da CNM. A entidade aponta que o fenômeno continua se intensificando e há mais de 90% de chance de atingir intensidade muito forte entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027.

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Nordeste concentra os maiores prejuízos

Em todo o Brasil, os prejuízos provocados pelo fenômeno ultrapassaram R$ 8,2 bilhões entre julho e agosto. O Nordeste concentrou a maior parte das perdas, com aproximadamente R$ 3,9 bilhões.

Além da seca e da estiagem, os municípios nordestinos também podem enfrentar episódios de chuvas intensas, com riscos de alagamentos, deslizamentos, danos em habitações e prejuízos em obras públicas.

No Rio Grande do Norte, produtores de leite das regiões Central, Seridó e Oeste já registraram queda de até 25% no faturamento durante o primeiro semestre deste ano, em razão da irregularidade das chuvas.

Governo monitora risco de seca em 2027

Diante das projeções, o Governo do Estado mantém um grupo de trabalho para acompanhar os possíveis impactos do El Niño em 2027. Entre as ações estão perfuração e instalação de poços, construção de barragens subterrâneas e execução das adutoras do Seridó e do Agreste.

O secretário estadual da Agricultura, da Pecuária e da Pesca, Guilherme Saldanha, afirmou que a principal preocupação é com a próxima quadra chuvosa, especialmente se o fenômeno persistir até fevereiro.

O meteorologista Gilmar Bristot também alertou que os maiores impactos devem ocorrer em 2027, quando o El Niño poderá prejudicar o período de chuvas e afetar ainda mais a agricultura e a pecuária potiguar.

*Com informações da Tribuna do Norte

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